UE, vacinação. E Bolsonaro diz que a China cria vida

A expectativa é de que as vacinações terão um impacto sobre as taxas de contágio na Europa já no fim de maio, permitindo aos governos relaxar algumas regras impostas quando as vacinas estavam mais escassas. A diferença com o Brasil é tremenda.

 

Giovanni Legorano do Dow Jones Newswires nos dá atualizações da pandemia. O aumento do número de casos de Covid-19 registrado na Europa neste segundo trimestre começa a perder força, à medida que a vacinação começa a ganhar ritmo, alimentando as esperanças de uma ampla reabertura da economia da região antes do verão, no terceiro trimestre. Ao contrário dos Estados Unidos (EUA), Reino Unido e Israel, que de certa forma controlaram a pandemia graças em parte à rápida e ampla vacinação, a Europa enfrentou um aumento do número de contágios no fim do inverno (primeiro trimestre), enquanto se esforçavam para conseguir vacinas.

O aumento da distribuição de vacinas aos Estados-membros da União Europeia (UE), a suspensão de obstáculos burocráticos e de logística que atrapalharam inicialmente os esforços de vacinação e ampliaram rapidamente o acesso às vacinas. Enquanto isso, lockdowns, toques de recolher e outras restrições implementadas em março e abril começam a reduzir o número de casos, aumentando a possibilidade de um retorno à normalidade para os negócios antes das férias de verão, que são cruciais para a economia da região.

Até 2 de maio, os Estados-membros da UE haviam aplicado 33,6 doses por 100 habitantes, segundo dados da Universidade de Oxford — menos da metade dos números do Reino Unido e EUA, mas um grande salto em comparação há um mês e bem mais que a maioria dos países em desenvolvimento. As infecções diárias na UE vêm caindo desde o começo de abril e as mortes diárias relacionadas à Covid-19 começaram a cair a partir da metade de abril, segundo os governos. O efeito deverá começar a ser notado assim que 40% a 60% das pessoas tiverem recebido pelo menos uma dose, o que poderá acontecerá no fim de maio, acelerando a queda das infecções. Nos três meses até junho, a UE espera receber 400 milhões de doses — incluindo 250 milhões das líderes na produção: BioNTech e Pfizer.

“O que aconteceu nos últimos meses é que conseguimos aumentar a quantidade de vacinas que produzimos e estamos entregando à Europa”, disse Ugur Sahin, cofundador da BioNTech, ao “Wall Street Journal”. “A expectativa é de que as vacinações terão um impacto sobre as taxas de contágio na Europa já no fim de maio.” Permitindo aos governos relaxar algumas regras impostas quando as vacinas estavam mais escassas. A diferença com o Brasil é tremenda. Aqui o presidente atribui à China o poder de criar a vida. Acusando-a de criar o vírus. Só faltava essa!

Na Alemanha, por exemplo, inicialmente as vacinas estavam disponíveis só em grandes centros de vacinação e as pessoas tinham de ser convidadas para serem vacinadas. A partir da metade de abril os médicos estão podendo aplicar as vacinas em seus próprios consultórios. Em Berlim, por exemplo, qualquer pessoa pode agora receber a vacina da AstraZeneca. Como resultado, mais de 600 mil doses estão sendo aplicadas por semana. Um modelo do ZI Institute, ligado ao Ministério da Saúde da Alemanha, prevê que metade das pessoas elegíveis terá recebido uma vacina até o fim do mês e dois terços até a metade de junho.

Na semana passada a França abriu as vacinações contra a Covid-19 para um grupo maior, que inclui todos os adultos que sofrem de obesidade. O presidente Emmanuel Macron disse que a vacinação estará aberta a todos os adultos a partir de 15 de junho. Algumas regiões estão além. Na semana passada o prefeito de Cannes, na Riviera Francesa, disse que a cidade começaria a vacinar qualquer pessoa com mais de 40 anos.

Na Itália, no fim de abril, o general Figliuolo aumentou o número de doses diárias para o dobro da média do começo desse mês. E ele pretende aumentar ainda mais esse número em junho. Cerca de 22% da população italiana já recebeu pelo menos uma dose. O objetivo do general Figliuolo é vacinar 80% da população até o fim do 2º semestre. Com os crescentes sinais de que a última onda de contágios atingiu o pico e com o avanço das vacinações, os governos europeus anseiam reabrir suas economias.

O número semanal de novos casos de Covid-19 na Alemanha só começou a cair na semana passada pela primeira vez desde o fim de fevereiro, de modo que o país não está relaxando seu “lockdown”. Mas ontem o governo movimentou-se para isentar as pessoas que já foram totalmente vacinadas de algumas restrições, como a necessidade de elas serem testadas antes de frequentarem salões de beleza ou atividades comerciais consideradas não essenciais, além das exigências de quarentena para viajantes.

Mas algumas autoridades alertam que os governos precisam ser cautelosos e graduais em seus processos de reabertura, e que eles precisam estar prontos para fechar tudo de novo se novas variantes do vírus se mostraram capazes de escapar da proteção oferecida pelas atuais vacinas. Esta região do mundo abrange cerca de 500 milhões de habitantes, mais que o dobro do Brasil. Portanto, apesar de conglomerar mais de 25 nações, a organização suplanta a do Brasil, de nos dar inveja.

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