Venha a nós, Queiroz

E dizer que os 28 anos de moita no Congresso criaram o “rei da ética política”. Conversa pra boi dormir!

Agora já sabemos a razão de Queiroz ter se escondido para ficar calado. Sarah Teófilo relata no EM de 9/8 que a quebra de sigilo bancário de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, na época deputado estadual no Rio de Janeiro, revela depósitos de R$ 82 mil na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro…Venha a nós, Queiroz

As informações foram reveladas pela revista Crusoé, que teve acesso às transações de Queiroz. O valor é superior ao que havia dito o presidente. A investigação já havia revelado depósitos que chegaram a R$ 24 mil na conta da primeira-dama. Ao justificar o caso, Bolsonaro afirmou que Queiroz havia depositado, na verdade, R$ 40 mil na conta de sua esposa como pagamento de um empréstimo feito à época de deputado federal. Os pagamentos teriam sido feitos em 10 cheques de R$ 4 mil, segundo Bolsonaro, até agora sem provar.

Ao menos 21 cheques foram depositados na conta da primeira-dama entre 2011 e 2018. Beleza! E dizer que os 28 anos de moita no Congresso criaram o “rei da ética política”. Conversa pra boi dormir!

Além de Queiroz, o senador Flávio Bolsonaro é investigado. Ele conseguiu foro especial no caso, que saiu da 27ª Vara Criminal do Rio e subiu ao órgão especial. Agora, o parlamentar tenta fazer com que o caso deixe de ser investigado pelo Grupo de Atuação no Combate à Corrupção. Tanto Márcia quanto o marido Queiroz tiveram prisão preventiva decretada em junho. Márcia ficou foragida até a defesa conseguir a prisão domiciliar para ambos, garantida pelo então presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha.

O presidente Bolsonaro cumpriu agenda “importante” em São José dos Campos, em São Paulo, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, com duração de 30 minutos. O chefe do Executivo aparece sem máscara, na beira de uma estrada local, acenando para os motoristas que passavam. Ele também tirou selfies com apoiadores. Mais cedo, Bolsonaro esteve no 2º Batalhão de Infantaria Leve, onde recebeu uma placa pelo título de Cidadão Vicentino.

Em seguida, visitou a Ponte dos Barreiros, que recebeu recurso do governo para obras emergenciais e de reforma estrutural. Em comboio e em pé na porta do carro, o presidente também acenou para bolsonaristas em outra rua da cidade e embarcou para Brasília no fim da tarde, com o ego inflado.

Bolsonaro quer eternizar seus “bolsas-famílias”. Dar dinheiro ao povão é eleição garantida. R$ 300 é um dinheirão para uns 25 milhões de eleitores pobres. A conta vem depois para nós no Imposto de Renda, IOF, contribuições sociais, et caterva, além de desajuste fiscal (95% do PIB no final).

Bolsonaro engana os tolos, não aos que conhecem a política desde 1964, ao tempo do golpe militar que instaurou uma ditadura castrense no Brasil de 21 anos. Eram honestos os generais-presidentes e enérgicos, mas mataram muita gente e jogaram no oceano, segundo vasto noticiário daquela época. Aqui, em Belo Horizonte, várias famílias vestiram os trajes de luto pelos assassinatos de familiares pelos órgãos de repressão (os DOI-Codi da vida, os Dops et caterva).

Aliás, o presidente não se desleixa de elogiar um dos mais perversos e sádicos torturadores daquela época de trevas. O coronel Brilhante Ulstra. Não voto no PT, mas elogiar torturador me deprime. Por ocasião do impeachment da presidente Dilma, se não me engano, o presidente Bolsonaro, então deputado federal, disse no voto pelo impeachment (deputado há 28 anos, quieto no seu cantinho): “Digo sim”, em “nome de Brilhante Ulstra”, “o terror de Dilma”, o que implica ter sabido o que se passou entre a torturada e o torturador… (no mínimo, a frase é repugnante!).

Gozo de uma saúde forte, energia e lucidez, apesar das dezenas de anos e hei de falar enquanto puder. O que mais me agradaria seria ver o presidente tornar-se “de coração” um democrata e devotar sua vida política ao crescimento econômico e social de nosso povo. Parecia estar mudando, mas outro dia deu de agredir os jornalistas, ameaçando um deles de lhe quebrar os dentes a socos…

Ora, um presidente há de ter decoro. O Trump é grosso também, mas limita-se a dizer é fraude, mas sem nenhum compromisso com a verdade. Depois cada um pensa o que quiser. É mais hábil, esperto que seu grande admirador, justamente Bolsonaro.

A última é que ficou nervoso só por que lhe perguntaram quem estivera pondo, sistematicamente, uns dinheirinhos na conta da senhora Michelle, sua atual esposa, algo assim como uns R$ 80 mil, por aí. Não é muito, mas qual a razão? Michelle nunca foi rica. Dela pode-se dizer que é bonita e discreta, cordata, sem malícia.

Claro que sabemos que o depositante era o Queiroz ou sua mulher, miliciano na Baixada. E o resto? Vai ser investigado? As pistas estão abertas.

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