Os maiorais de fachada

 

É hora de iniciar um novo ciclo de nossa história, sem arreganhos autoritários e planos factíveis de desenvolvimento econômico: capitalismo e democracia.

Tínhamos neste país um semianalfabeto insensato exercendo o cargo de ministro da Educação, um tal Weintraub, que se achava – característica de todo tolo – uma pessoa fora do comum.

Mas seus colegas de universidade, da ordem de 90%, acham-no estranho e arrogante. E, de fato, o é; basta ver as besteiras mais rastaqueras que expele toda vez que nos deu o desprazer de ouvi-lo.

Maiorais de fachada

O sujeito era mesmo sem-noção. A China é o nosso primeiro parceiro comercial. Sem ela, nosso agronegócio despenca. Pois a diversão do ex-ministro era fazer piadinhas da China. Será agente do EUA, nosso maior concorrente? É possível, pois falta-lhe caráter, antes de tudo. Além disso, é covarde. Disse que se deveria prender os ministros do STF. Mas no inquérito do STF ficou caladinho! Bolsonaro gosta dele, pois o indicou para o Banco Mundial como prêmio de consolação. Desde os romanos se diz que asnus fricat asnus.

Antes de sua saída do governo, o poder ignaro do ex-ministro deseducado foi barrado outra vez pelo Supremo (era seu desejo indiciar os reitores das universidades públicas brasileiras) por serem, segundo ele, os professores, alunos e funcionários (o corpo eletivo em vigor) todos comunistas… É um louco. Hoje, só há comunismo em dois lugares: Cuba e Coreia do Norte, mas o esquizofrênico vê comunista em todo canto. Agora os verá em Washington, caso vá mesmo para o Banco Mundial.

Ora, todos votam, sejam docentes, discentes e funcionários. Assim, nas unidades de ensino superior – numa amostra de democracia incontestável – são escolhidas e capacitadas as reitorias e diretorias das universidades (por votação tripartite: alunos, professores e funcionários).

Pois bem, de modo totalitário, cujo requisito principal seria o candidato declarar-se “de direita”, quis o ex-ministro nomeá-los à sua vontade a partir de ato do presidente. Quis moldar as universidades à sua imagem e semelhança, como se fora um deus romano.

O sistema vigente é democrático. Se, por acaso, embora não seja o caso (fui da Universidade do Brasil durante 32 anos, em Belo Horizonte e no Rio), os reitores não lhe querem bem e são de orientação de centro-esquerda e centro, o ex-ministro, democraticamente, deveria ter tido o dever de respeitá-los, ao revés de confrontá-los para, autocraticamente, indicar os superdireitistas com ele conluiados para impor à força as suas ideias fascistas às universidades do Brasil.

A questão é sabida. Bolsonaro e Weintraub não conseguiram entrar nas universidades brasileiras para impor paradigmas de direita, como na Itália de Salvine ou na Hungria de Orbam. As universidades brasileiras rejeitam o neofascismo do atual governo brasileiro, que se declara democrata porque foi eleito pelo voto popular, mas disso se vale para tornar o país neofascista. Quer intervir em toda parte, mas sem êxito: na Polícia Federal, nas Forças Armadas e nas universidades. Não terá êxito nessas três instituições (nem na Receita Federal).

Agora, amigo do Centrão no Congresso que conhece muito bem, pois viveu às expensas do Poder Legislativo por 27 anos, quase no anonimato, sem fazer nada para o povo (exceto os militares de toda ordem e policiais), quer cooptá-lo. Mas não terá êxito. O Centrão do toma lá dá cá faz a “política dos interesses”, mas jamais chegará ao suicídio político de apoiar o autogolpe de Bolsonaro. Viram como a ministra Damares se comportou na reunião ministerial que se tornou famosa pela falta de ideias e de decoro? Disse alto e bom som que “quando fosse a hora”, não agora, iria “prender uns três ou quatro governadores”. Para um bom entendedor duas palavras bastam. É claro que a também idiota ministra Damares espera, um dia, o autogolpe e a ditadura bolsonarista, numa América (à exceção da Venezuela, Nicarágua e Cuba) que jamais aceitará golpes de Estado.

É nessa situação que nos encontramos, com o empresariado financiador do golpe fugindo dos porões, ante as inqueridas do STF em curso, que muitas surpresas – se preparem –- nos mostrarão.

Está na hora de as forças democráticas – eu, pessoalmente, rejeito o PT de raiz, tão ruim quanto o bolsonarismo direitista – unirem-se em defesa do capitalismo econômico e da democracia representativa, como regime político intocável, em prol de empregados e empregadores, a bem do Brasil.

O país, em 1800, tinha uma economia igual à dos EUA. D. Pedro II foi um imperador que nada fez para arrancar o país dos senhores rurais escravocratas e universalizar a educação (3/4 de século perdidos). Os mesmos senhores, em Minas e em São Paulo (política do café com leite), mantiveram a Primeira República com ou sem Campos Sales na mesma pasmaceira. De positivo, apenas a imigração, o café e as industrialização paulista que iniciou um novo Brasil.

Atuamos, agora, ou perdemos, definitivamente, o bonde da história (que saudade de Getúlio e de Juscelino). É hora de iniciar um novo ciclo de nossa história, sem arreganhos autoritários e planos factíveis de desenvolvimento econômico: capitalismo e democracia. Bolsonaro não privatiza nada, é estatista. Urge a formação de uma frente democrática de centro nos partidos, no Congresso e na imprensa. Dia após dia, Bolsonaro testa as instituições. Agora, pegou vento de proa com o ministro Alexandre de Moraes. Os ventos estão virando! Ainda bem!

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