Oligarcas prepotentes

Nossos pseudointelectuais de esquerda, como “sanchos panças”, seguem supostos e “quixotescos” líderes dos “pobrezinhos brasileiros”.

Nunca antes na história deste país houve tantas oligarquias exercendo o poder. Nunca o seu exercício foi tão marcado pela prepotência e o desrespeito às instituições democráticas. Em 13 anos de lulopetismo houve o realce da plutocracia (o governo de poucos) e da cleptocracia (o governo dos ladrões em detrimento do povo).

O Congresso Nacional foi emasculado de propósito. Não foi Lula quem disse haver ali, no mínimo, 300 “picaretas”? Ele os comprou com o mensalão e o petrolão, externando o seu agrado pela fragmentação partidária (28). Usou e abusou do “presidencialismo de coalizão”, negação clara de partidos sérios, estaqueados em valores e não em negócios.

Oligarcas Prepotentes

Não foi Lula quem disse haver ali, no mínimo, 300 “picaretas”? Ele os comprou com o mensalão e o petrolão, externando o seu agrado pela fragmentação partidária (28) / Foto: Jane de Araújo

Os oligarcas estaduais e federais e suas siglas de ocasião, enquanto durou o surto das commodities e o crédito fácil do capitalismo financeiro globalizado, uniram-se ao PT e dividiram o governo e as estatais entre si como se fossem senhores feudais, num tipo de governo que bem poderia ser chamado de “coronelismo de Estado”. Ao povo, em vez de botas, cestas, cobertores, etc., foi-lhe dado “bolsas” (família, reclusão, escola e quejandos), enquanto os oligarcas de norte a sul faziam suas tenebrosas transações, assaltando a “res publica”.

As oligarquias políticas, como sempre, uniram-se às oligarquias empresariais: prestadores de serviços ao Estado, magnatas abusando do dinheiro público, como o grupo JBS, o senhor Eike e, claro, as empreiteiras de obras públicas, cujos contratos sempre foram o lugar ideal para se fazer os superfaturamentos em troca de propinas, prejudicando as classes médias do país, pagadoras dos tributos para financiar a máquina estatal e, ademais, os ineficientes serviços públicos: educação chula, gente morrendo nos corredores dos hospitais, estradas esburacadas e serviços de segurança inadequados e insuficientes, sem falar nas fronteiras abertas da nação.

Uma série de programas como o Fies, Prouni, Minha casa, minha vida, auxílio-reclusão e Bolsa- Família foram propagandeados para garantir as roubalheiras. Sou a favor de todos, mas com gestão. Esses programas mal geridos ocultam o saqueio de todas as forças econômicas do país. Os fundos de pensão foram obrigados a investir em empresas inadequadas e estão todas em estado falimentar. Os sindicatos enriquecidos e ONGs suspeitas ficaram livres de prestar contas ao TCU. As obras públicas foram superfaturadas em até 160%, a começar pela Petrobras e Eletrobrás. Estão na lona, em estado pré-falimentar.

A concessão desabrida de crédito sem garantias suficientes nocauteou 40% das famílias, hoje inadimplentes, e lançou a economia do país na pior recessão de sua história, em marcha batida para a depressão econômica, o que nos atrasará uma década no caminho do progresso aspirado pelos mais necessitados. Perderemos, no rescaldo do governo que se finda, uns 10% do PIB nacional.

Esse quadro dantesco, no entanto, parece não causar mossa às cabeças reacionárias e retrógradas dos intelectuais filossocialistas, guerreiros de causas perdidas, desde o desmoronamento do comunismo marxista internacional, adeptos cegos de um sul-americanismo bolivariano, em débâcle por toda parte. Quem é essa gente de inteligência emocional embotada? São os pseudointelectuais de esquerda, “sanchos panças”, que seguem supostos e “quixotescos” líderes dos “pobrezinhos brasileiros”. O jornal El País estranhava essa contradição brasileira incompreensível, só nossa (na Venezuela e na Argentina, as elites intelectuais, mesmo à esquerda, tiveram papéis mais lúcidos).

Pareceu ao articulista que os brasileiros se ativeram à luta contra a ditadura militar para apoiar o PT, que seria o seu contrário, numa romântica defesa do “povo desprotegido” tradicionalmente “explorado pelas elites”. Aí tudo se desvela. O lulopetismo é o conúbio dessa ideologia generosa com as oligarquias, que, secularmente, exploraram o Estado. Qualquer um vê isso, aqui e alhures, menos a pseudo intelectualidade de esquerda desse país estranho chamado Brasil.

Essas elites intelectuais, na verdade pseudo elites, se dobram à mentira e à demagogia e merecem o destino que se lhe é imposto pela ignorância dos que as governam, submetem e avassalam, como se fossem escravos da tirania. Democracia é mais do que eleição. É responsabilidade, ética e sobriedade, justamente o que nos falta. É eficiência e a busca do bem comum. O século das ideologias já passou. O século 20 viu todas desmoronarem, após experiências concretas: o socialismo real, vivido, não o dos livros, o nazismo, os fascismos, os nacionalismos militarizados anticomunistas na aparência, mas ditatoriais na essência, como os latino-americanos, e, finalmente, o populismo sul-americano tardio, entre eles o lulopetismo, que tanto mal nos trouxe com seus ridículos ritos de redenção dos oprimidos. O Brasil, como a fênix, ressurgirá melhor da crise atual.

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