O segundo impeachment

Para o estabelecimento da democracia representativa no Brasil, temos que acabar com o presidencialismo de coalizão

O PT se apropriou do termo “esquerda” para se colocar a favor dos pobres e da democracia (reduzida a atos eleitorais) enquanto seus opositores, os “conservadores” ou “liberais” ou “neoliberais”, seriam os “contrários” à “esquerda”. É óbvio que dualidade simplória como essa é estúpida ou deriva de má-fé, talvez das duas.

Durante o século 18, a burguesia francesa, com a cooptação dos pobres, opunha-se aos poderes da nobreza e do clero católico (1789-1799). Na Assembleia Constituinte, os ricos, os donos de terras e de máquinas, os remanescentes da nobreza, sentaram-se à direita da mesa diretora, as classes trabalhadoras ficaram à esquerda. Essa é a origem desses dizeres.

Na Inglaterra, o primeiro país a fazer a revolução industrial, a crudelíssima exploração da mão de obra dos pobres, inclusive de crianças imberbes, expulsas do campo pelos lordes, não apenas ensejou o marxismo, como os partidos liberal (burguesia), conservador (monarquistas) e trabalhista (de esquerda).

Palácio do Planalto

Caminhos para a democracia representativa: acabar com o presidencialismo de coalizão, limitar o número de partidos e proibir coligações nas eleições / Foto: Naiara Pontes / Flickr

Os termos não são unívocos; sofrem o efeito da polissemia que assola qualquer linguagem humana: pluralidade de significados. (É ver a palavra “manga” entre nós: manga de roupa, de terra, pasto, nome de fruta e até raiz do verbo mangar (gozação). Incorporam novos significados segundo a história de cada povo, em diferentes momentos do seu evolver, não possuindo validade universal.

Durante a Guerra Fria que se seguiu à 2ª Guerra Mundial, fazendo surgir duas superpotências militares: os EUA e a URSS, liderada pela Rússia, a esquerda significava o comunismo. Para os comunistas, o resto do mundo não marxista era de direita, conservador, colonialista e imperialista. O PT gosta desse discurso.

O capitalismo defende a propriedade privada dos meios de produção: fábricas, fazendas, comércio, serviços. O socialismo marxista defendia a propriedade coletiva dos meios de produção controlada pelo Estado, submetido ao partido único dos trabalhadores (por não existirem classes outras que não a do proletariado). Com a passagem da Rússia, países do Leste Europeu e da China (em 1982) para o campo capitalista, o confronto evanesceu (capitalismo versus socialismo). O PT é coletivista e estatista; não ousa atacar a propriedade privada, mas depreda (MST).

Àquela altura, e mesmo antes da 2ª Guerra Mundial, surgiram na Europa, não nos EUA, partidos sociais-democratas, tipo PSDB no Brasil, que, embora não fossem marxistas, se colocavam a serviço do Estado do bem-estar social (Welfare State) ,voltados às classes mais baixas, com políticas de saúde e educação subsidiadas para igualar a sociedade, cobrando mais impostos dos ricos, em sociedades democráticas.

No Brasil, nunca tivemos partidos de direita, exceto o Integralista, de Plínio Salgado, adepto do fascismo italiano, que teve vida fugaz. Aqui, desde a 2ª Guerra Mundial, finalizada em 1945, os partidos sempre foram de centro, de centro-esquerda ou da extrema-esquerda. Assim eram os PRs, a UDN, o PSD, o PTB e o PC. Com o golpe militar de 1964, no auge da Guerra Fria, tivemos presidentes-generais e governadores eleitos indiretamente pelo Congresso e assembleias legislativas. O partido do governo (Arena, depois PDS) era considerado de “direita”. O MDB, a oposição democrática, era considerado de “esquerda”, um aglomerado de todos os que se opunham à “revolução de 1964”. Em 1985, o regime acabou com a eleição indireta de Tancredo Neves, que morreu antes da posse, sagrando-se presidente o vice, José Sarney. É quando surge o PT, misto de sindicalismo, socialismo, “teologia da libertação”, populismo e comunistas enrustidos.

Dito isso, não vejo legitimidade no PT em nos tachar de “direitistas” ou “conservadores”. Não queremos ditadura. O sonho de qualquer empreendedor é empregar pessoas e enriquecer os compradores de seus produtos, para que a nação progrida, nos esquadros da democracia. Semifascista é o PT. A uma, porque depois de pregar ética na política é protagonista do maior escândalo de corrupção do mundo, implicando estatais, fundos de pensão e bancos oficiais. A duas, porque longe da responsabilidade fiscal, gasta fortunas além do que arrecada, gerando uma dívida pública próxima de 80% do PIB, daí o rebaixamento do país pelas agências de risco. A três, pelo populismo, pois ao tempo em que se alia a grandes grupos empresariais para saquear o Estado e “aparelha” tudo que é público com seus asseclas (uma espécie da “nomenklatura” soviética, como dizia Milan Djilas), usa medidas demagógicas para se perpetuar no poder à moda do fascismo corrupto.

O PT é um percevejo político, gruda no lombo do poder, chupa seu sangue, dá um pouco aos pobres e compra com cargos e dinheiro seus aliados.

Para o estabelecimento da democracia representativa no Brasil, temos que acabar com o presidencialismo de coalizão, limitar o número de partidos e proibir coligações nas eleições.

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