Honra à China

O nacionalismo é uma praga. A China fez o que pôde e o mundo não faz o devido esforço para conter o vírus.

A China vem nos mostrando transparência e eficácia. É uma das mais antigas civilizações do mundo, com invenções fantásticas, entre elas a roda, em que pese a querela a respeito da primazia. A maior população organizada, igualitária, inventiva e prudente do mundo, cerca de 1,4 bilhão, faz da coragem e da modéstia virtudes sociais, como queriam os mestres desde Confúcio. O povo reconhece e confia no governo. Foi o que constatei as duas vezes em que lá fui.

Façamos dois introitos: a uma, a China já foi invadida, mas absorveu seus conquistadores, que se tornaram culturalmente chineses: os mongóis ao Norte e o manchus a Leste (estes nem mais existem, com suas imensas tranças, verticais nas mulheres e enroladas entre os homens) tornaram-se chineses. Em verdade, 90% da população chinesa é da raça ham, existindo outras etnias, inclusive muçulmanas a Oeste, de descendência curda ou curdistã (resquício do império medo-persa de Ciro, marido da judia Ester na Bíblia).

Honra à China

A Organização Mundial de Saúde (OMS), ligada à ONU, afirmou em 4 de fevereiro que o trabalho da China foi extraordinário, colocando a segurança do seu povo acima de interesses econômicos. Ao fazer isso, evitou, também, a propagação, pelo resto do mundo, independentemente de interesses econômicos. As medidas adotadas pela China contra o novo coronavírus (mutação de uma cepa de 10 tipos de cepas de vírus coronas conhecidas) frearam a rápida disseminação da doença para o resto do mundo, e está ainda procurando um antídoto enfraquecedor do vírus, além de construir um hospital em 10 dias. Mas os direitistas acham que a epidemia vem dos chineses comerem porcarias. Não é isso. Caso contrário, os brasileiros estariam mortos. É o frio acima de 10 a 15 graus e os vírus de um bilhão de galinhas abatidas diariamente.

À OMS, segundo Adhanom Ghebreyesusmais, a solidariedade das nações faltou, acusando os governos dos países ricos de ficarem na defensiva e na culpabilização da segunda potência mundial em tudo, visto que os EUA riem, tampando a boca da miséria alheia…

Ao mesmo tempo em que Hong Kong informou a morte de um homem de 39 anos que viajou em dezembro a Wuhan, o governo chinês adotou novas medidas de confinamento que afetam milhões de pessoas em regiões próximas a Xangai, o coração econômico do país, com o objetivo de impedir o avanço do novo coronavírus, que segue em propagação e já matou 909 pessoas no país. A quarentena afeta quase 12 milhões de moradores na província de Zhejiangen, Leste da China. Uma das cidades fica a apenas 175 quilômetros da metrópole Xangai, a cidade mais populosa do país e sede da gigante do comércio on-line (Alibaba). Até agora, mais de 56 milhões de pessoas estavam confinadas na província de Hubei. O novo coronavírus surgiu na cidade de Wuhan, capital da província.

O novo coronavírus matou 909 pessoas na China continental e infectou mais de 40.000 desde que foi detectado pela primeira vez, em 31 de dezembro. A sua letalidade é cinco vezes menor que o vírus da febre asiática suína, não havendo motivo para tanto alarde. Outros 24 países confirmaram casos, razão pela qual a OMS declarou emergência de saúde global. A OMS recebeu apenas relatórios completos de 38% dos casos registrados fora da China. “Alguns países de alta renda estão muito atrasados na comunicação desses dados, vitais para a OMS. Não acho que seja devido à falta de capacidade”, alfinetou seu presidente. “Sem dados melhores, é muito difícil para nós avaliarmos como o surto evolui, qual será seu impacto e garantir que estamos dando as recomendações mais adequadas” avaliou.

O nacionalismo é uma praga. A China fez o que pôde e o mundo não faz o devido esforço para conter o vírus. Graças à China, foram poucos os atingidos: Tailândia, Coreias e Hong Kong. Se o vírus chegar ao Leste da Europa, teremos uma nova peste negra e faltarão recursos para se defenderem.

A epidemia pelo coronavírus atingiu em cheio o preço das comodities, como petróleo e minério de ferro, atingindo EUA e Brasil.

O governo chinês acusou o EUA de disseminarem o pânico na Ásia, criando e espalhando o medo, em vez de oferecer assistência aos chineses.

São precisamente países desenvolvidos, como os EUA, com forte capacidade de prevenção de epidemias, que deveriam assumir a liderança e o combate à epidemia atual fora da China, em vez de impor restrições excessivas no intuito de isolar o país. Haverá de ser lembrado na ocasião propícia (desse fato e da falta de solidariedade). O conselho executivo da OMS estará reunido nesta semana, em Genebra, para avaliar a situação e verificar o que deve mudar na coordenação global contra doenças viróticas, que tendem a aumentar, principalmente, durante os invernos rigorosos.

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