Doria e a gripezinha

João Doria tem o direito de falar do presidente, pois não lhe é subordinado, senão que eleito pelos paulistas

Governador de um estado da União de Estados da República Federativa do Brasil, que tem 44 milhões de habitantes (população maior que a da Argentina), o que torna o segundo país mais poderoso da América do Sul, depois do país de que é parte, João Doria tem o direito de falar do presidente, pois não lhe é subordinado, senão que eleito pelos paulistas.

Pelo que foi lido no Valor, transcrevo as partes da entrevista agressiva do governador Doria, para bem esclarecer os leitores (prioridade do Estado de Minas, o Jornal dos Mineiros).

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), subiu o tom e afirmou em live que o presidente Jair Bolsonaro conduz um governo “que defende a morte, gosta do cheiro da morte” e que o Brasil por ele liderado é “um mar de incompetência”. Para Doria, o país se converteu em “um conjunto de fracassos” capitaneado por “um pária internacional” e o presidente “retardou de forma hostil e desumana” o início da vacinação em todo o território nacional.

Doria também criticou empresários que se mostram constantemente alinhados a Bolsonaro: aqueles que gostam de ser solidários e puxa-sacos do governo e ficam lá tomando café da manhã com o presidente.

Na avaliação do governador, os “verdadeiros líderes da indústria brasileira e de outros setores” estão sozinhos. “Porque não têm diálogo com o governo federal, nem uma política pública adequada para atrair investimentos internacionais e promover o desenvolvimento do país.”

O tucano é crítico frequente do governo Bolsonaro. A polarização entre ambos se acentuou após o início da pandemia.

“O Brasil está perdido, infelizmente não temos uma liderança no Brasil, o país é uma sucessão constante de equívocos, que levam a um caos sanitário, de saúde e um caos econômico”, disse.

“O atraso do Brasil [na vacinação] é conhecido mundialmente. O Brasil será o 65º país a vacinar, sendo que fomos o primeiro país da América Latina e o terceiro do mundo a ter a vacina pronta para imunizar a população”, salientou Doria.

“Eu não tenho prazer em constatar que vivo num país dominado por um governo incompetente. Gostaria de aplaudir, mas não há como aplaudir um governo que defende a morte; que gosta do cheiro da morte, que não respeita a ciência e desrespeita a própria vida, como é governo Bolsonaro.”

O governador disse que é péssima a avaliação sobre a gestão do presidente Bolsonaro feita por órgãos internacionais como a Human Rights Watch.

“A Human Rights Watch condenou a postura desumana e principalmente a postura negacionista do presidente do Brasil em relação ao tema do combate à COVID-19″.

“Em 20 de outubro, foi assinado um acordo e divulgado pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na presença de governadores, líderes na Câmara e no Senado. No dia seguinte, não é que o presidente Jair Bolsonaro desmentiu, ele desautorizou seu ministro da Saúde…”

Para Doria, “ele humilhou o seu ministro da Saúde, dizendo que o que ele tinha assinado não tinha validade e que, ele, como presidente da República, não concordava. E que pouco interessava a ele o que havia feito o ministro da Saúde”.

O governador disse que o problema não fica só em Pazuello. “É surpreendente a forma como Bolsonaro trata seus ministros, trata dirigentes de estatais. Ele os humilha, desautoriza constantemente, não tem espírito de equipe e nem dialoga”, disse.

E prosseguiu: “o único diálogo que nós brasileiros conhecemos de uma reunião de ministério foi aquele encontro patético com palavrões e ataques ao Supremo Tribunal Federal, ao Congresso Nacional”, recordou o governador, fazendo menção ao vídeo da reunião ministerial de 22 de abril do ano passado.

O governador de São Paulo afirmou também que a inação do governo federal em promover a campanha de vacinação contra o coronavírus se reflete diretamente na atividade econômica do país.

“O atraso da vacinação promove também o atraso da recuperação econômica do país, e é uma tristeza atrás da outra”, disse Doria. “No ano de 2020, a performance de São Paulo foi três vezes superior à do Brasil, num período difícil de decréscimo da economia. E agora, neste ano, a abertura que poderia ser de esperança para os brasileiros é a abertura de dúvida.”

Segundo Doria, o cenário de incertezas tem se refletido nos mercados internacionais. “O governo federal, por falta de uma política de vacinação, não tem um prazo confirmado, seguro, de imunização dos brasileiros para a retomada da economia”.

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