Cúpula Biden – Xi

Sacha Calmon
Advogado, coordenador da especialização em direito tributário da Faculdades Milton Campos, ex-professor titular da UFMG e da UFRJ

Somos colônia dos EUA. Você já viu um filme russo ou chinês? A colônia só vê a versão do colonizador

Demetri Sevastopulo, do Financial Times, de Washington, nos informa que as autoridades americanas e chinesas terão uma reunião na Suíça, em que negociarão a possibilidade de uma cúpula virtual entre os presidentes Joe Biden, dos EUA, e Xi Jinping, da China.

Não se sabe a razão da Suíça para esses encontros. É por ter construído uma neutralidade covarde e oportuna? Para ela, o nazismo e fascismo foram políticas que se deram na Lua. Seus bancos são refúgios seguros para corruptos do mundo inteiro.

O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, se encontra com Yang Jiechi, principal autoridade de política externa da China, segundo fontes familiarizadas com a situação. Uma delas disse que os dois lados estão mais perto de organizar uma cúpula virtual entre os presidentes.

No mês passado, Biden conversou com Xi por telefone pela segunda vez desde que assumiu o cargo. Ele sugeriu uma cúpula presencial, mas Xi não respondeu e instou os EUA a moderarem a retórica contra a China.

Pequim tem dificultado as coisas para os americanos nos últimos meses. Uma visita planejada à China pela subsecretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, quase não aconteceu, pois num primeiro momento Pequim recusou-se a garantir-lhe um encontro com o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi.

Fontes com conhecimento sobre o telefonema entre Biden e Xi disseram que uma cúpula virtual pode ser um meio-termo possível, porque Xi não saiu da China desde o início da pandemia. A reunião entre Sullivan e Yang foi noticiada primeiro pelo South China Morning Post.

A Casa Branca informou mais tarde que Sullivan se encontraria com Yang em Zurique. “Eles darão sequência ao tema tratado no telefonema do pre- sidente Biden com o presidente Xi, enquanto continua a buscar administrar de forma responsável a competição entre os Estados Unidos e a República Popular da China”, acrescentou o comunicado.

Trata-se de uma conversa presencial entre as mais altas autoridades dos dois países desde que Sullivan e o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, se encontraram com Yang e Wang, no Alasca, em março.

Aquela reunião resultou em uma discussão pública notável, pois Yang fez um discurso violento contra os EUA depois que Blinken disse pu- blicamente que abordaria preocupações sobre Taiwan, os uigures em Xingjian e a repressão em Hong Kong. Blinken não deve participar da reunião! Está na hora de a China criticar o massacre dos negros nos EUA, digo eu.

Os EUA se metem em tudo. Ora essa, isso depois do absenteísmo americano depois da 1ª Guerra Mundial, quando o país quis se isolar das seculares guerras da Europa, pondo Roosevelt em apuros para entrar na 2ª Guerra Mundial (eles só entraram em 1942, e o conflito se iniciara em 1939), assim mesmo porque os japoneses fizeram a maior besteira das guerras modernas, atacaram uma base americana no Oceano Pacífico, Pearl Harbor. Foi a Rússia, com 14 milhões de mortos, que derrotou Hitler no terrível “front” leste da guerra. Ali se decidiu o futuro do mundo. A invasão da Normandia se deu quase no fim da guerra. O cinema só retrata esse episódio. Somos colônia dos EUA. Você já viu um filme russo ou chinês? A colônia só vê a versão do colonizador.

As discussões ocorrem em um momento em que as tensões entre os EUA e a China continuam fortes a respeito de uma série de questões, entre elas a atividade cada vez mais agressiva dos mi- litares chineses perto de Taiwan. Nos últimos dias, um número recorde de aviões de combate da China entrou na zona de defesa aérea de Taiwan, que Pequim reivindica como seu território soberano. E é! (Há um milênio, é para eles “a ilha formosa”.)

O governo Biden também se prepara para sua primeira reunião de negociações comerciais com a China. A representante comercial dos EUA, Katherine Tai, disse que em breve manterá negociações diretas com Liu He, seu equivalente chinês. Isso é o que importa.

Os EUA indicaram que não tentarão negociar acordo para lidar com questões estruturais espinhosas e, em vez disso, se concentrarão em persuadir a China a honrar os compromissos de compra acertados no acordo comercial fechado com o ex-presidente Trump, em 2020. Está no seu papel. Uma nova Guerra Fria é impensável. (Na Europa, a Rússia abastece de gás com dezenas de oleodutos a parte central e a parte ocidental daquele continente.) Para nós é ruim, perderemos vendas de soja e milho para a China.

Antigamente, falava-se nos tigres asiáticos relativamente a certos países da área em acelerado processo de crescimento econômico. Hoje, pode-se dizer que o potente elefante chinês quer fazer o contrário de Marco Polo. Quer chegar com os seus produtos ao coração da Europa, seja a central, seja a atlântica ou mediterrânea (a nova rota terrestre da seda).

Os romanos dominaram o mundo mediterrâneo e a Europa em geral por mil anos. A hegemonia inglesa durou 100 anos. A americana não chegará a tanto. O mundo multipolar é uma realidade. E a China tem cadeira cativa.

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