Cinismo

O que Paulo Guedes fez até agora em prol do Brasil? Literalmente, nada, nesses 2 anos e meio de governo.

Sobre ser dúplice, Guedes é cínico. Numa reunião de equipe que estava sendo filmada e exibida ao vivo, sem que ele próprio soubesse – prova de desorganização de sua equipe ou “fogo amigo” –, coisa corriqueira no desgoverno Bolsonaro (chamado de governo “prega esparadrapo no meio da gritaria” por um gaiato do bairro da Penha, no Rio), deu-se ao despautério de dizer que a China “criou” o vírus e depois o “remédio”, mas que os americanos tinham 100 anos de experiência, e exemplificou: “Qual o vírus? Decodifica! Faz a vacina. Por isso a da Pfizer é a melhor”.

Como se descobre um lobista é fácil demais. O que essa pessoa fez até agora em prol do Brasil? Literalmente, nada, nesses 2 anos e meio de governo, nem auxílio emergencial ele queria, o mérito – há que se reconhecer – é do presidente. Outra coisa. Vírus é ser vivo. Os chineses descobriram o segredo de criar vida, seja animal ou vegetal. É caso de Prêmio Nobel, ó sábio Bozo: ele disse que a China “teria criado o vírus”. Inteligentíssimo! Ele merece o “Nobel da burrice”?

Grande é o seu despreparo para ser ministro da Economia, da Fazenda e do Planejamento (a demoníaca trindade do despreparo, da incontinência verbal e da bajulação terceiro-mundista). Vem a público, com um cinismo revoltante, desculpa-se perante a China, pede desculpas ao distinto público e diz que expressou “outra coisa”, a qual não explicou.

Fato é que se vacinou foi com a CoronaVac mesmo, como de resto os 80% dos brasileiros envolvidos no processo de vacinação.

Por afinidade – é preciso dizer que o presidente poderia pleitear junto ao Reino Unido que reforcem por aqui os postos da Shell –, os nossos postos Ipiranga, como, por analogia infeliz, o pífio ministro da Economia foi outrora apelidado, estão indo de mal a pior.

Os anteriores ministros da Economia e Fazenda não lhe são chegados. Não tem tradição no magistério e nem bibliografia econômica, especialmente de macroeconomia. Seu modesto currículo, em que pese esses cursinhos de seis meses, em Boston ou NY, nada tem de relevante, veio por indicação ideológica, como se tornou hábito nesse pseudogoverno de direita (na verdade, é um governo jurássico, com mil perdões ao presidente Campos, do BC, e a mais outros que ainda no governo não saíram e merecem fé). Para a despolitizada classe média, oba-oba do Brasil, governo autoritário é o máximo.

Entretanto, esse velhote sem sabedoria e de poucos sabores é um esperto corretor de casas de operações de títulos de crédito, pois passou a vida intermediando valores de um lado para outro, sempre de terceiros, vício que trouxe para o governo. Não lhe faz bem gastar com aplicações humanitárias sem lucro. Mas agora, às pressas, querem privilegiar a Pfizer, americana. Agora?

A CGU apontou a existência de riscos na assinatura de contratos. “De forma geral, a análise realizada apontou que, caso os contratos sejam assinados, o gestor federal estaria suscetível à ocorrência de riscos significativos, especialmente o impacto orçamentário financeiro para o Estado brasileiro, considerando eventual majoração futura dos preços das vacinas pactuados, bem como da previsão de pagamento de indenização à empresa e seus representantes, “em caso da ocorrência de ampla gama de efeitos colaterais”.

E condicionou a assinatura à sanção de uma legislação que diminuísse esses riscos. Entende-se que, caso se confirme a sanção presidencial ao Projeto de Lei 534/2021, parte das necessidades de alteração legal encontram-se atendidas. Esse projeto, de autoria de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), acabou virando a Lei 14.125 em 10 de março. Prevê, por exemplo, que o governo assuma os riscos referentes à aquisição de vacinas. O governo viria a assinar o contrato com a Pfizer em março do presente ano.

Daí a já referida resistência que oferece aos auxílios emergenciais. Um mérito não lhe posso negar, defende o teto de gastos. Mas isso é questão de atuação. Sua personalidade é que está em jogo. Ele é mesquinho, tacanho, vaidoso, pouco meditado, e por isso não exibe estatura de economista criativo para regenerar e impulsionar o Brasil, sai daí!

Quando a pandemia passar, daqui a uns 12 meses, na melhor das hipóteses, veremos que o Brasil e a Índia foram, nessa ordem, os países que mais vidas perderam e que o Brasil foi o que mais PIB desperdiçou por imprevisão e incompetência.

Repete-se o velho e infalível ditado, como nos mostra a história: cada povo merece o governo que tem!

Temos agora uma soma de choques muito intensos, que produzirão preços de commodities elevados. O Brasil que se cuide! Os americanos são os nossos mais fortes concorrentes em commodities e têm preços melhores, e maior produtividade. Quem a China preferirá? Os EUA, de tanto ser xingada por aqui…

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