Verdades incômodas

Que importância militar tem o Brasil para se meter entre potências globais? “Vive bem quem em sua casa vive em paz.”

 

Anaís Fernandes, jornalista de São Paulo, em artigo, diz: “Os chineses estão irritados porque autoridades americanas espalharam com má-fé mentiras políticas contra a China, fabricando a ‘ameaça chinesa’ e atacando a tecnologia 5G do país, segundo nota da embaixada chinesa no Brasil, em resposta a declarações do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e do conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Robert O’Brien (governo Trump acabando)”.

Segundo a embaixada chinesa, esses políticos consideram abertamente “mentir, trapacear como tática dos EUA, e se tornaram criadores de problemas que ferem a ordem internacional”. Para a representação chinesa, eles ignoram “fatos básicos” e produzem “comentários baseados na mentalidade de Guerra Fria e jogo de soma zero para servir a certos interesses políticos e tirar proveito de ataques que difamam a China, insuflando o confronto. A China se opõe fortemente a isso”.

A carta reitera que a China busca um novo modelo de relações internacionais, centrado na cooperação de benefícios compartilhados, e “jamais interferiu nos assuntos internos e políticas externas de outros países”. É verdade. Quando a Rússia quis instalar mísseis em Cuba, foi um deus nos acuda. Kennedy era o presidente. Contudo, os EUA têm bases no Japão e Alemanha com mísseis apontados contra a Rússia, por um suposto poder de conquista (Alemanha e Japão perderam a Segunda Guerra Mundial).

A nota lembra que ataques ao 5G da Huawei não é novidade. “Recentemente, um pequeno número de políticos americanos, desprezando os fatos e forjando uma série de mentiras, vêm lançando ataques difamatórios contra o 5G da Huawei. Têm utilizado o poder de Estado para impedir as operações legítimas das empresas chinesas de alta tecnologia, abusando no pretexto de segurança nacional. Além disso, têm obrigado os outros países a adotar políticas discriminatórias e excludentes que miram empresas chinesas como a Huawei.” Essa é, segundo a embaixada, “uma prática hegemônica flagrante” que viola a Organização Mundial do Comércio (OMC).

A carta afirma que não se vai esquecer do “histórico sujo dos EUA na segurança cibernética”, citando “operações de espionagem, organizada e indiscriminatória contra os governos, empresas e indivíduos, entre eles líderes de países como o Brasil”. Para a embaixada, tais ações, que prejudicam a privacidade e a segurança, são “as verdadeiras ameaças à segurança cibernética do mundo”. “A comunidade internacional deve ficar alerta com a malevolência dos EUA de sacrificar o desenvolvimento dos outros países para buscar a superioridade dos seus próprios interesses” e cita, ainda, “a cooperação entre China e Brasil no combate à pandemia, com os chineses prestando apoio através de doação de materiais, compartilhamento de experiências no diagnóstico e tratamento e no desenvolvimento de vacinas”. Enquanto isso, os EUA vêm agindo contra o espírito humanitário básico e até retiveram materiais médicos urgentes, inclusive respiradores, que foram enviados da China ao Brasil. É fato!

Destacando que a China é o maior parceiro comercial do Brasil há anos, a embaixada afirma que salvaguardar as relações bilaterais é interesse fundamental. Para bom entendedor, duas palavras bastam!

De fato, tem espantado muita gente a guerra comercial entre a maior potência da Terra e uma única empresa de tecnologia e comunicação, com filiais no Brasil há mais de 15 anos, a Huawei, a gigante em tecnologia da China, ao lado da não menos poderosa empresa de e-comerce Alibaba, recentemente fiscalizada pelo governo chinês, impedindo o maior IPO do mundo.

A velha e populosa China, com 5 mil anos de civilização, quando a Europa era bárbara e as Américas ainda viviam o tempo da selvageria, e antes mesmo da Grécia (e seu esplendor filosófico), da Pérsia de Ciro e da Roma dos Césares, só encontra paralelo civilizatório na história com os sumérios e as dinastias egípcias.

“Vive bem quem em sua casa vive em paz.” É dizer: se dar com todos os vizinhos e não se meter na vida alheia, mormente se a casa é modesta em rua de muitas mansões, como metaforicamente é o Brasil neste início do século 21.

Que importância militar tem o Brasil para se meter entre potências globais? Todavia, deveríamos liderar na preservação do meio ambiente e as cadeias do agronegócio no G5 emergente! (China, Rússia, Brasil, Índia e Indonésia). Mas não, somos brancos, protestantes-evangélicos e falamos inglês, como certamente imagina um Bolsonaro de barriguinha já saliente, “vida mansa” depois de 28 anos no Congresso (caladinho…).

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