Bolsonaro, o calamitoso

O país regrediu 7,9% em PIB, tem 15 milhões de desempregados e 10 milhões de desalentados, um futuro esfumaçado e muita conversa fiada

O presidente está a distribuir verbas e cargos ao Centrão. Antigamente, os reis tinham apelidos, tipo Ricardo, coração de leão, Pepino, o breve, Felipe, o belo, e por aí em diante. O imperador Bolsonaro tem língua de trapo, como diziam os antigos, ou é Jair, o calamitoso.

O país regrediu 7,9% em PIB, tem 15 milhões de desempregados e 10 milhões de desalentados, um futuro esfumaçado e muita conversa fiada. É o contrário de Juscelino, o simpático mineiro que fez 50 anos em cinco.

Sem esquecer do casamento com o Centrão, apesar de todas as invectivas bolonaristas contra o que chamava de “velha política”, foi noutro dia que o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, cantarolou: “E se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão…”

Se o combate à corrupção não é objetivo desse governo, o que lhe resta? Talvez a agenda liberalizante de Paulo Guedes. Durante o primeiro ano, o avanço de reformas se deveu não ao Executivo (que, quando muito, não atrapalhou), mas ao Congresso e, em especial, à coalizão legislativa liderada pela Câmara de Rodrigo Maia. Um número interessante diz respeito ao plano de privatizações: o governo Bolsonaro, com Salim Mattar à frente, privatizou menos do que a gestão petista de Lula no mesmo espaço de tempo (jornal “O Valor”). Mas não se enganem! Rodrigo Pacheco no Senado e Lira na Câmara dos Deputados não são cães adestrados, cada um tem agenda própria, haja vista o que disse este último: “A agenda da Câmara será pautada pelo colégio de líderes partidários”. A “listinha”, que Bolsonaro lhe mandou, foi educadamente engavetada… Doravante, o Poder Legislativo vai governar o Brasil.

O Brasil bem sabe vacinar. Agora, o calamitoso faz tudo contra a vacina. Sua ignorância científica continua na cloroquina e certamente o governo levou adiante seus objetivos nas áreas ambiental (com a devastação promovida por Ricardo Salles), cultural (com o desmonte das políticas e a captura ideológica e sectária dos órgãos do setor), da violência (com a facilitação do armamento popular e a dificultação do rastreio de armas e munições), da política externa (com a transformação do Brasil num pária internacional e multiplicação por mais de 17 vezes do gasto em publicidade governista no exterior), de direitos humanos e participação cidadã (com o desmonte dos órgãos participativos na administração federal, assim como o ataque a políticas de ação afirmativa e proteção a grupos vulneráveis), na educação (com o vilipêndio da autonomia universitária, nomeando-se dirigentes estranhos ao processo legal de escolha) e na saúde, pela sabotagem a políticas de combate à pandemia e pelo aparelhamento do Ministério da Saúde, que se tornou um acampamento militar.

O presidente acha que foi ele quem fez os presidentes das casas legislativas. É verdade que distribuiu dinheiro, cargos e verbas para projetos de parlamentares, porém a troco de fumaça. Mas não percebeu Lira e Rodrigo se cacifando para voos mais altos, com implicações diretas nas próximas eleições presidenciais, não necessariamente em seu prol.

Agora, no caso das vacinas, ao revés do que acontece nos EUA, onde o sistema de saúde é todo privado, tomam-se todas as vacinas existentes nos EUA e no mundo. O capitalismo democrático é assim, incluindo as vacinas chinesas. Aqui não. São apenas duas vacinas e como se fôssemos um Estado comunista ou socialista, todo mundo foi igualado ante a União, estados e municípios, com seus péssimos serviços de saúde. Será uma barafunda horrorosa. O setor privado foi excluído. A vacinação é exclusiva dos setores públicos de saúde.

É vedado aos hospitais Einstein, Sírio Libanês, rede D’or, Beneficências Portuguesa e Espanhola, Grupo Aliança (Bahia), Mater Dei e Biocor, em BH, importar e aplicar vacinas contra a Covid-19. Na China, as clínicas e redes privadas podem. Aqui não podem! De repente, o Brasil virou um país socialista, fora do SUS não há solução. Do SUS nada, que comporta instituições privadas, estamos mesmo sujeitados ao Ministério da Saúde (inoperante). E a fabricação? Por ora, parece que só o Butantan fabrica. A Fiocruz demora a agir. Ora, os laboratórios privados já deviam estar em ação, para isso estão aqui sediados (para fazer remédio para câncer e para a cura do bicho-de-pé, somente)?

E o governo se limita a fazer bobagens e recomendar a tal da hidroxicloroquina, coisa de curandeiro e suas “garrafadas”.

Capitalismo no Congresso, com distribuição de verbas a deputados (dizem que R$ 3 milhões) e socialismo em cima de nós, filas imensas e tempo imprevisto para vacinar. Bem fizeram os estados da Bahia e Paraná que compraram a Sputinik V da Rússia e estão recebendo doses e insumos sem atrasos. Ora, se outros países submetidos à Organização Mundial da Saúde (OMS) as estão tomando, por que os brasileiros precisam ficar enredados nas mãos do INSS?

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