A marcha da insensatez

Somos um país com um povo cordato e sofredor, governado por insensatos

Somos um país com um povo cordato e sofredor, governado por insensatos. Há bem pouco tempo, sem razão, o sr. Eduardo Bolsonaro, um tipo emocionalmente enfermo, deu por certo que a China criou o vírus, simulou a doença na província de Hubei, tão só para infectar o mundo. Desconheceu que o governo chinês isolou a província inteira, tipo ninguém entra, ninguém sai. Ao mesmo tempo criou cordões de isolamento nas demais cidades. Acontece que Hunan, a capital de Hubei, é uma cidade com 12 milhões de habitantes, no Centro-Norte do país, e muitos chineses, cerca de 280 mil, tinham viajado de lá para outras partes da China e do mundo e muitos já estavam contaminados, daí a propagação do vírus COVID-19.

Essa é a verdade dos fatos. O governo chinês levou pelo menos 25 dias para descobrir que não era um surto usual de gripe, coisa séria num país com 1 bilhão e 360 milhões de habitantes sem contar Taiwan e Hong-Kong, que acrescentam uns 90 milhões de chineses.

A China se deu conta da espantosa celeridade de contágio do vírus, como nunca a humanidade tinha visto, em meados do mês de janeiro e comunicou à OMS (Organização Mundial de Saúde) uma “estranha virose” no país com alto índice de contágio. Todo país sempre espera preciosos dias, para não produzir pânico na população, o que é muito natural.

Mas o sr. Eduardo Bolsonaro – breve de raciocínio – entendeu que os chineses, assim como os russos em Chernobyl (Ucrânia) ao tempo da URSS, haviam “armado” essas catástrofes humanitárias por querer, para prejudicar o resto do mundo mesmo se prejudicando grave e extensamente, algo impensável. Mas cada doido tem sua mania, muito comuns a “conspiratória” e a de “perseguição” mormente entre os esquizoides.

Nosso deputado não passaria num exame psiquiátrico apurado, penso eu. Quando me tornei, faz tempo, juiz federal (1º lugar entre 1.748 candidatos, no caráter nacional) e digo isso sem vaidade, apenas para me credenciar, tive que me submeter a exames psiquiátricos. É ainda assim no Poder Judiciário. Isso tudo para dizer que todo candidato a cargos eletivos no Executivo e no Legislativo, nos três níveis da Federação, deveriam submeter-se a tais testes. Evitaria que pessoas fronteiriças das psicopatias ingressassem no Estado.

Vem agora o ministro da Educação, já o segundo do atual governo, o sr. Abraham Weintraub, hostilizar a China, assim, do nada, (“em passant”, os reitores das universidades e as diretorias do ensino profissionalizante e 95% do professorado o têm como inepto). E, ainda fez “gracinhas” de curso primário, como a provar que é mesmo um mentecapto. Avaliem sua acusação besta à China: “Quem pode lá sail, foi foltalecido, em telmos lelativos dessa clise mundial”, para gozar a dificuldade dos chineses de pronunciar o som “r” (assim como os ingleses embolam a língua: “sarta fora sordado marvado”). Ora essa, tem cabimento uma tolice desse tamanho? O presidente, à hora em que escrevo, não tinha tomado providências. O embaixador da China protestou em alto e bom som e exigiu desculpas. O ministro disse que poderia fazê-lo, mas exigiu que a China nos vendesse “respiradores”…

Ora quem passou a mão no lote que vinha para o Brasil foi o Trump, “amiguinho” do presidente Bolsonaro.

Mas a fala do ministro mal-educado nos prejudica. Como sabem, os EUA estão comprando máscaras e respiradores da China. Por outro lado, EUA e China firmaram acordo para a China comprar mais milho, soja, sorgo, trigo e carnes dos EUA. Quem hoje é nosso comprador dos itens acima relacionados, exceto sorgo e trigo? Precisamente a China. A China é compradora líquida do nosso agronegócio. Por isso mesmo, a fala recente do ministro Weintraub pode nos trazer embaraços ao agronegócio brasileiro, por causa das burras gracinhas de um despreparado.

A China pode redirecionar, em parte, as aquisições de sorgo, soja, milho e semifaturados para a Argentina, Uruguai, Chile, EUA, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e México, só para exemplificar. Já que está nos vendendo vacinas poderia nos vender uma contra a hidrofobia de certos deputados insensatos e ministros falastrões.

No mais, Bolsonaro está isolado. Nele não confiam as Forças Armadas, a imprensa e o povo mais pobre. Seu esteio, como sempre, é a classe média, adepta contumaz das ditaduras e nos grupos fascistas organizados nas redes sociais e brigas de rua.

Salve-nos ministro Mandetta, doravante meu candidato a presidente.

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