Zona sul, o caos

Outro dia li elogios ao Vetor Norte de Belo Horizonte e suas obras estruturantes. O articulista, com habilidade, requereu obras também estruturantes para o Vetor Oeste, que já conta com dois formidáveis corredores de trânsito, a Av. Amazonas e a Via Expressa, larga desde o complexo de viadutos da Lagoinha até o Eldorado, onde se mistura às grandes avenidas de Contagem, com duas chegando diretamente à Pampulha e Betim, além de possuir metrô. O Barreiro, tampouco, tem problemas de monta, interligado à Contagem, Ibirité e anel rodoviário.

O Vetor Sul, este sim, está “entregue às traças”. E, se persistirem em querer ligar Olhos D’água a Betim (alça sul do anel rodo-ferroviário da grande BH) estará para sempre instalado o caos – pela quantidade de caminhões de carga e veículos diversos– que hoje engolfam o Belvedere, o Buritis, Olhos D’água e todos os condomínios ao longo das rodovias do Rio de Janeiro e Nova Lima.

A Av. Raja Gabaglia, a Av. Nossa Senhora do Carmo, a Bandeirantes e a Barão Homem de Melo, como as artérias de um coração, se quedarão enfartadas permanentemente. Para começar, um complexo de viadutos se faz necessário na intercessão da Raja com descidas para o São Bento e o Buritis, o qual ainda demanda ligação direta, sem cruzamento, com o anel rodoviário que lhe passa rente. É facílimo ligar (550 metros) o Belvedere com a Praça JK, sem a demorada volta pela Rua Patagônia (mão e contramão, só passando um automóvel, para lá para cá, caminho de carro de bois!). Basta descer pelos terrenos baldios da Mineração desativada à altura do restaurante Villa Roberti. Aliás os proprietários têm um magnífico planejamento para a área!

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É óbvio que uma autoridade metropolitana deveria ser responsável pelas obras da região metropolitana. Os prefeitos não podem trabalhar desconectados uns dos outros. / Foto por Moisés Silva Lima

O que custa, à altura da primeira subida do Belvedere, abrir na Av. Nossa Senhora do Carmo uma descida para o Santa Lúcia e o São Bento, logo depois da favela? São obras viárias simples.

Ainda não compreendi coisas estranhíssimas, numa avenida de trânsito intenso, como a Bandeirantes, que está virando comercial. São aquelas bolas ridículas, interioranas, para delimitar uma área de caminhada para as pessoas respirarem gases venenosos, entre eles o carbônico. Permitir, de sobredobro, que os carros estacionem junto a essas bolas, tornando-a um beco. Os carros passam em fila indiana a 7 km por hora. E ainda, há aquele estreitamento estúpido do beco da Bandeirantes na Praça da Bandeira.

Onde não há planos, faz-se, como na Noruega, túneis. Urge refazer a ligação de Nova Lima a Belo Horizonte pela antiga estrada do Rio, passando pelo Hospital da Baleia. Uma estrada ligando Nova Lima à Av. Afonso Pena, por túnel, é de elementar lógica. A Serra é pelada. Túneis não agridem a natureza, o Rio de Janeiro, com imensas áreas verdes, já teria se tornado inviável (por não tê-los).

E quem teve a suprema irracionalidade de jogar seis fluxos de trânsito (l – o que vem do Rio para o Belvedere e a Raja; 2 – dos condomínios idem; 3 – do Shopping BH ibidem; 4 – de Nova Lima (pelo mergulhão); 5 – da zona sul de “n” lugares pelo anel rodoviário e que entram por Olhos D’água na estrada e; 6 – da Raja para descer até a Av. Nossa Senhora do Carmo), numa passagenzinha estreita que só cabe um automóvel, embaixo do viaduto do Belvedere? É como se seis ribeirões robustos desaguassem num ribeirinho. Quem é o gênio do DNIT ou do BHTRANS responsável por esse crime que nos atrasa, enerva e envergonha? É o maior fator de lentidão no Vila da Serra e Belvedere.

E aquele leito abandonado e imenso de ferrovia – um trecho está virando favela à altura do Bairro Pilar – que pode ligar Nova Lima, passando entre o Belvedere e a Vila da Serra, cruzando por cima a BR 40 e passando pelo anel rodoviário à altura de Olhos D’água, ao Barreiro? Não está à disposição dos urbanistas para um projeto, bonito e inteligente, capaz de desafogar o trânsito no Vetor Sul?

É óbvio que uma autoridade metropolitana deveria ser responsável pelas obras da região metropolitana (4,5 milhões de habitantes). Os prefeitos não podem trabalhar desconectados uns dos outros. O pior trânsito do Brasil está em BH/Sul. O Belvedere, o Buritis e os condomínios do Vetor Sul toda sexta-feira infartam. Outro dia uma senhora quase morreu dentro da ambulância a 500 metros do Hospital Biocor, sob chuva torrencial. Nem na Guiné…

A zona sul se endireita ou fatos muitos graves irão ocorrer com os políticos e as populações de BH e Nova Lima que estão co-urbanizadas e abandonadas. É uma vergonha a gerar mal estar o que estão fazendo na região. Na trincheira junto ao Posto Fernanda, ao redor da rótula mais concorrida do Vila da Serra, se pretende construir uma torre de 40 andares. Não é estupidez, é descaso e corrupção imputável à Prefeitura de Nova Lima. Urge que o M. Público impeça tamanho absurdo!

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