Pobre Brasil!

Brasil se torna um país comprador de máquinas a quinquilharias e vendedor de produtos primários antes do tempo.

Alardeia-se por aí – ideia fixa do Lulismo – que as empresas estatais são do povo. Como assim? O povo recebe dividendos? Claro que não, somente os acionistas. Empresa estatal é a que pertence ao Estado. Ele recebe os dividendos. O povo – pobre coitado – o que faz é pagar impostos. Empresa estatal, por outro ângulo, é a que emprega os apaniguados dos políticos (cabide de empregos), sendo mal gerida. Quanto maior o aparato de governo, maior a sua ineficiência. Cuba que o diga, dispensou 500 mil funcionários.

Em recente artigo sobre a pobreza nos Estados Unidos (26/9), dissemos que lá as coisas são – em comparação com o Brasil – muito mais baratas, sem falar que a renda média norte-americana é imensamente maior. Muita gente não acreditou. Então, faço comparações para demonstrar a assertiva feita. Convém, entretanto, fazer três considerações. A primeira é que a carga tributária sobre bens e serviços nos EUA é um terço da nossa, o que favorece o consumidor. Os brasileiros, em tudo que compram, pagam de 25% a 70% de tributos embutidos no preço, descomunal absurdo, sem a contrapartida de bons serviços públicos, embora o Estado da era Lula tenha inchado como sapo e seja desajeitado tanto quanto os batráquios. Em segundo lugar, os EUA compram tudo do mundo inteiro, sem barreiras alfandegárias, salvo produtos/insumos especiais (protecionismo). Comprar mais barato produtos finais importados é bom para o consumidor. Por último, sob a ótica do crescimento econômico e do bem-estar material, a livre iniciativa provou ser o melhor sistema de produção e de igualdade.

Faremos as comparações de vários produtos importados (preço nos EUA e preço no Brasil, em reais, mais os impostos brasileiros incidentes): a) automóvel Toyota Camry – R$ 50.478,20 nos EUA e R$ 131 mil no Brasil (ICMS, 12% II; 35%, IPI; 25%, PIS; 1,65%, Cofins, 7,6%); b) champanha Veuve Clicquot – R$ 68,75 nos EUA e R$ 199 no Brasil (ICMS, 25%; II, 20%; IPI, 20%; PIS, 1,65%; Cofins, 7,6%); c)relógio Guess – U12505G1, R$ 214,83 nos EUA e R$ 467,25, no Brasil (ICMS, 12%; II, 20%; IPI, 20%; PIS, 1,65%; Cofins, 7,6%); d) vinho Almaviva (safra 2006) – R$ 120,30 nos EUA e R$ 490 no Brasil (ICMS, 25%; II, 20%; IPI, 10%; PIS. 1,65%; Cofins, 7,6%); e) aparelho celular I- phone 4G – R$ 1.029,50 nos EUA e R$ 2.399 no Brasil (ICMS, 12%; II, 12 BIT; IPI, 15% ; PIS, 1,65%; Cofins, 7,6%0; f) perfume Polo Ralph Lauren – Verde, R$ 85,93 nos EUA e R$ 199 no Brasil (ICMS, 25%; II, 18%; IPI, 42%; PIS, 1,65%; Cofins, 7,6%). Tudo foi feito com uma cotação do dólar norte- americano: R$ 1,72 em 23/10, e as seguintes fontes: www.toyota.com.br, www.osxdaily.com, www.ralphlaure.com.br, www.best-price.com.br, www.buscape.com.br. Ademais, se formos consultar os preços dos produtos norte-americanos, produzidos com mão de obra cara, e depois compará-los com os nossos, encontraremos uma enorme disparidade em desfavor dos produtos nacionais. Alguns exemplos: produtos de cama, mesa e banho, eletrodomésticos, roupas prontas, tênis, linha branca, eletrônicos e bens de alta tecnologia.

Decididamente, se não diminuirmos os custos diretos e indiretos que caem sobre a mão de obra, na contratação, manutenção e dispensa de empregados (reforma trabalhista), se não diminuirmos os impostos indiretos que gravam os bens e serviços finais e, portanto o consumidor (reforma tributária), se mantivermos o real valorizado numa suposta flutuação cambial porquanto o governo a controla pela compra forçada de dólares, limitações na posição comprada dos bancos e tributação de smart money (flutuação suja) e se insistirmos nos juros nas alturas, muito em breve, o país perderá sustentabilidade. É esperar, nem precisa ficar sentado, e ver o fim da festa! Os candidatos à Presidência da República devem botar as cartas na mesa. Estamos nos tornando um país comprador de tudo, de máquinas a quinquilharias, e vendedor de produtos primários antes do tempo. Japão e China defendem suas moedas e nós não, por causa de um dogma monetarista. Ainda há tempo, mas ele corre demais.

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