História recente e futura

Em declínio econômico e social, o país, apavorado com a rapidez com que as instituições se desfazem, teme pelo dia de amanhã.

Getúlio Vargas e a Aliança Liberal, em 1930, puseram fim à “Velha República” das eleições “a bico de pena”, agrária e retrógrada. Foi o primeiro a dar voz ao operariado. Fez-lhes promessas (populismo), deu-lhes a CLT e um partido, o PTB. A partir de 1937, Getúlio institui uma ditadura (1937 a 1945) e nomeia interventores nos estados. Com eles, passa a trocar favores com os “chefes políticos regionais”. A esses deu um partido aliado, o PSD. Ao ser deposto, em 1945, findo o Estado Novo, o trabalhismo era uma significativa massa política e o PSD, o partido dos chefes regionais.

Palácio do Planalto

O Brasil, de 1930 a esta parte, sempre viveu em duas situações políticas: ditaduras tamponando conflitos e períodos democráticos, mas de crise, com populismo, moralismo, socialismo, corrupção e inexistência de partidos representativos dando tônica à política / Foto: Leandro Neumann Ciuffo

Seguiu-se-lhe o general Eurico Dutra, militar, moralista (acabou com o jogo e os cassinos, uma tolice). Foi austero e burocrático, como a caserna. Foi sucedido pelo próprio Getúlio, agora ungido pelas urnas, apoiado pelo PTB e o PSD. Carlos Lacerda, da UDN, vivia a atormentar Getúlio, a clamar por “honestidade”, com o apoio da classe média. O chefe de segurança do presidente, sem a sua ciência, tentou matar Lacerda e atingiu o major Vaz, rebelando as Forças Armadas. Acuado, Getúlio suicida-se e comove o país. Após a crise política, chega à Presidência Juscelino Kubitschek (PSD), democrata e liberal (1956-1961). Instala as indústrias de base, a automobilística e de autopeças, estimula as empreiteiras a construir barragens, usinas termoelétricas e estradas, além de erguer Brasília para interiorizar o crescimento agrícola. Seu governo foi um sucesso na política e na economia. Não fez, por pouco, seu sucessor, o general Lott, sem pendor político, mas emplacou o vice, João Goulart, do PTB.

Foi acusado de corrupto e de criar a superinflação pelo “moralista” Jânio Quadros. Com esse discurso, botando caspas de farinha nos paletós, este ganhou a Presidência, mas renunciou para voltar com maiores poderes, nos braços do povo (bonapartismo), de modo a dobrar o Congresso, onde era minoritário. A jogada fracassou. O povo não se mexeu. Lida a renúncia na Câmara, o cargo presidencial ficou vago. O vice, em missão oficial na China, sofreu veto militar à sua posse, seria getulista e populista (mais votado que Jânio). Brizola instala no Rio Grande do Sul a “rede da legalidade” e levanta o país contra os quartéis. Tancredo inventa um parlamentarismo de ocasião (tivemos três primeiros-ministros: Brochado da Rocha, Tancredo e Santiago Dantas). Com um plebiscito, Jango recupera os poderes presidenciais (jan/1963) para ser deposto em 1964 por um golpe militar, em nome de “Deus” da “pátria” e da “família”.

Instala-se a ditadura militar (1964 a 1985). Ela institui eleições indiretas para o Executivo e diretas para os Legislativos, em qualquer nível de governo. Em economia, adota o tripé: empresas estatais + empresas nacionais + empresas internacionais. Dessa época o “milagre econômico brasileiro”, logo malogrado pelos dois choques do petróleo, que pararam o mundo, ajudando, em 1985, a eleição indireta de Tancredo, que morre antes da posse. Assume o vice no meio da hiperinflação herdada do período militar. Sarney (1985-1990) não a resolve.

Segue-se Collor, que perde a luta contra a hiperinflação e, sem apoio no Congresso (85% a ele contrário), sofre impeachment por corrupção. Entrara para “caçar marajás”! Os dois últimos anos do governo (1992-1994) são de Itamar Franco, que incumbe FHC de acabar com a hiperinflação. A coragem o levou a encampar o Plano Real, êxito extraordinário, que acabou com a inflação de 980% ao ano. Elegeu-se presidente, moralizou os governos com a Lei de Responsabilidade Fiscal e modernizou o país com as privatizações do setor siderúrgico, da Embraer e das telecomunicações, além da abertura externa. Por oito anos governou FHC, sociólogo carioca, professor universitário em São Paulo, um visceral líder democrático, de renome internacional.

O PT a tudo fez oposição. Lula, finalmente, vence em 2002, pregando “ética na política” e “inclusão social” e chega a 2016 como um fracasso. Na política, instalou a corrupção e, na economia, destrói a situação econômica do povo, que ascendeu no superciclo das commodities (2001 a 2009). De lá para cá, com Dilma, o populismo, a corrupção e a inépcia reinam.

Agora o resumo da ópera bufa. O Brasil, de 1930 a esta parte, sempre viveu em duas situações políticas: ditaduras tamponando conflitos e períodos democráticos, mas de crise, com populismo, moralismo, socialismo, corrupção e inexistência de partidos representativos dando tônica à política. Os cidadãos não acreditam mais em nenhum partido nem nos políticos. Em declínio econômico e social, o país, apavorado com a rapidez com que as instituições se desfazem, teme pelo dia de amanhã. Temos duas alternativas: o caos ou o recomeço. Por epílogo, ver a sábia advertência de Toynbee: “O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”.

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