A voz da Globo

O que me estarrece mesmo é essa politicalha no maior veículo da imprensa nacional, nesse momento tão grave por que passa o país.

Qual a razão do protagonismo político das organizações Globo? Os Marinho atuais não se igualam ao pai, mais prudente. Por onde vou – a parcialidade é tão visível – perguntam-me, sem que eu possa saber, o porquê de o grupo querer derrubar Temer. Respondo não conceber a causa, mas suponho que tiveram interesses contrariados ou estão a serviço de um grupo político que não sei qual é ou é por idiossincrasia (não é o PT, se é que há o tal grupo político).

A voz da GloboNenhum veículo jornalístico, escrito, falado ou visual chegou a tamanhos arroubos políticos contra a Presidência, esquecido de que o negócio televisivo depende de concessão do governo federal. A campanha é de alto risco.

E já começam a circular boatos. Sempre os boatos. Precedem os fatos ou deles se desprendem, justamente porque saem de inquéritos em andamento ou das inconfidências propositais ou não (vazamentos). A boataria se espalha como erva daninha.

Dizem uns que certos planejamentos tributários das Organizações Globo, para acomodar seus negócios no exterior, escamoteando receitas, lograram ficar em segredo, mas vieram à tona já no governo Temer (não que o presidente o determinasse), tanto que se indagou aos Marinho a razão de tantos ataques ao governo, sem obter resposta, ao que pude apurar. De fato, o governo do presidente Temer surpreendeu-se com a virulência sistemática dos ataques, em todos os programas televisivos e pela imprensa escrita (O Globo). Corre por aí, entretanto, que foi a própria Receita Federal que fez a “delação” do passivo tributário do grupo, que não parece estar tão bem como aparenta. Mandou embora muita gente e se endividou com as novas instalações do grupo, que teriam custado uma fortuna.

Slim, dono da Claro e da Embratel e terceiro homem mais rico do mundo, que não se mete em política no México, e em nenhum outro lugar, nos passa sábia orientação. É certo que até nos EUA há órgãos da imprensa partidarizados. É o caso da Fox News, claramente republicana e que já nasceu para ser assim. A regra de ouro é dever ser o jornalismo imparcial e não se meter em política partidária, sob pena de torcer os fatos. Os partidos bem podem ter seus veículos, mas não a imprensa escrita e falada.

Segundo os boatos, o passivo tributário é grande em função da autuação ou denunciação do planejamento tributário, não sendo republicano o Ministério da Fazenda aliviar as agruras fiscais de quem quer que seja.

O que se passa com as Organizações Globo, cujo nascimento, como é sabido, vem de envolta com operações políticas que teriam chegado a contar, à época, com esforços financeiros à conta do grupo Time-Life? O que se sabe, com certeza, é que dita organização deu-se muito bem com a ditadura militar, isso pode-se assentar sem medo de errar, como não se pode negar o ideário liberal que sempre adotou. E, por isso, deriva a estranheza de tantos com a atual linha editorial, diuturna e planejada. Se Temer arrotar num jantar, dá manchete no jornal da noite e, certamente, no jornal escrito.

Nunca me agradou a boataria, estou apenas ouvindo aqui e acolá o que dizem, bem como um aumento da solidariedade e simpatia pelo presidente, que de tanto apanhar sem resmungar, mas lutar, sem se esbaforir, mas governar sem perder jamais a elegância, tem recebido elogios. A ternura fica para Camilo Cienfuegos, que “ternamente” mandou, com Fidel, amigo de Dilma e Lula, centenas a el paredon.

O que me estarrece mesmo é essa politicalha no maior veículo da imprensa nacional, nesse momento tão grave por que passa o país. Depois que Lula e Dilma emitiram bilhões e bilhões de títulos em reais para capitalizar o BNDES, que, à sua vez, capitalizou os “campeões nacionais” do PT, como os irmãos canalhas Joesley e Wesley, da JBS, e Eike, o país travou. De superávatis primários crescentes, desde que FHC saneou as finanças com o Plano Real, passamos a ter déficits primários crescentes, e exponenciais crescimentos anuais da dívida pública, que pode chegar (carry over) a 90% do PIB.

Então, o que explica a Organizações Globo olhar com antipatia para fazer política pirrônica a um governo que limitou por emenda constitucional o teto do gasto público, segurou as burras do Tesouro, encaminhou as reformas trabalhista, previdenciária e logo a tributária, e fez com que a economia retomasse seu curso ascendente?

Muito agradaria à nação pensante e ao povo sofredor receber lições de civismo e análises isentas da mídia, capazes de nos tirar da crise, em vez de tisnar o presente e tornar o futuro imprevisível. É hora de união e não de desavenças e intolerâncias, a bem do Brasil.

Duas coisas precisam ficar aclaradas: (a) não existe luta de classes, casa-grande e senzala, é uma oportunística balela e (b) inexistem líderes formidáveis. Um povo cresce quando as pessoas se dão as mãos e trabalham até conseguir, como fez o Japão.

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