Trump, o flagelo de Deus

Ele é o Macunaíma norte-americano, o Pol Pot dos anglo-saxões. A carga de antipatia e juízos negativos ao redor do mundo prejudicará o seu governo.

Donald Trump inventou uma narrativa para a democracia absolutamente antidemocrática, um nacionalismo desumanizado, uma retórica com traições a valores, contratos e tratados, antes partilhados com a comunidade econômica europeia e as democracias mundo afora. Não duvido de que Estados-membros da Federação, os mais importantes, assim como as grandes cidades, se rebelarão contra ele, tanto nos tribunais, como politicamente. A Califórnia e o Oregon, que juntos seriam o sexto maior país do mundo, e o estado de Nova York estão litigando nos tribunais.

Procuradores-gerais dos estados formaram um grupo de trabalho (Task) contra o presidente, eleito por uma minoria de eleitores e malquisto por 55% dos votantes e não votantes. O Legislativo, embora republicano, e o Judiciário definitivamente farão valer o sistema de pesos e contrapesos para deter o poder absoluto do soba de cabelos louros, à imagem dos bárbaros germânicos antigos dos quais descende pela linha paterna (a materna é escocesa).

Não quero aqui falar dos rednecks, o americano branco e bronco do interior americano, nem nos sulistas racistas, subproduto dos ingleses dos tempos coloniais, ou, ainda, do médio norte-americano, militarista, inescrupuloso, santarrão das igrejas evangélicas, desequilibrado pelos tempos difíceis da globalização, que continuará a destruir jobs em escala de milhões, algo para o qual a sociedade americana jamais esteve preparada (e deveria).

É que a chamada civilização do lazer — expressão francesa — é inexorável. As ciências do século 21, robótica, automação, comunicação, inteligência artificial e quejandos, substituirão o braço e a mente humanos, como jamais se viu na história. Hoje, máquinas agrícolas fazem o que mil empregados faziam, só para exemplificar. É ver o agronegócio brasileiro. Logo, o desemprego tende a crescer.

Quero falar do boquirroto que governa a América (tirante umas três intuições bem postas — que não trataremos aqui). Politicamente despreparado será politicamente contido pelo próprio partido e demais forças institucionais do Estado democrático vigentes naquela nação. O que mais enoja é a sua alma pequena, a sua psicopática vaidade e absoluta falta de autocrítica, a ponto de ter se tornado persona psicanalítica. É tirano e lhe faz bem perseguir os pobres e necessitados. Tem especial apreço em humilhar os humildes e, fanfarrão, diz que enfrenta os fortes (como a imprensa e o Congresso), embora mande emissários e procure colocar gente sua nesses lugares, às vezes com chantagens.

Não digo que se compara a Hitler, determinado a acabar com os judeus, comunistas, homossexuais e ciganos (exterminando-os em parte). Mas, sem amarras, ele chegaria perto e, se pudesse, esganaria os mexicanos, até mesmo os ricos, tal o seu racismo maldisfarçado, seu ódio despropositado, que se estendem aos hispânicos, amarelos, hindus, paquistaneses, árabes e, principalmente, muçulmanos. Quanto às mulheres, chega a ser torpe. Trump é o Macunaíma norte-americano, o Pol Pot dos anglo-saxões. A carga de antipatia e juízos negativos ao redor do mundo prejudicará o seu governo.

Inventou dois bordões ridículos: “EUA first” e “Compre produtos americanos e empregue americanos”. Mas o comércio tem duas mãos: o “não empregue quem não seja norte-americano e o não compre de quem não é norte-americano” é inconstitucional no interior da América e suicídio econômico. Desde quando a Ford vende no Brasil um carro feito lá? Tem que ser feito aqui, na Índia, na Argentina, pois isso é o livre trânsito de pessoas e mercadorias nas cadeias mundiais de produção, tirando vantagens qualitativas dos preços, salários e localizações. O forte da economia americana é ser transnacional e multinacional. Sem imigrantes, a América para. Onde já se viu negar um aperto de mão protocolar a uma mulher notável como Angela Merkel? Falta-lhe o essencial. Parece um animal! O Obama care e a entrada de islâmicos foram mantidos. Com 120 dias de desgoverno, Trump já é uma administração derrotada e exótica.

Agora meteu o bedelho na Síria e quer derrubar Assad. Acontece que os dois grupos de rebeldes fortes são a Al Nusra (do pessoal de Bin Laden) e o Estado Islâmico. Quer desvestir um santo que respeita todas as fés por radicais sunitas que não respeitam ninguém. Seu ataque aliou as duas facções. Vai se enrolar no Oriente Médio sem ter soluções viáveis. Melhor ouvir o Putin.

Obama deixou a Rússia e o Irã encaminharem a derrocada dos rebeldes e deixar Assad para o fim. Vem o outro e recomplica a situação. É desanimador! O velho complexo industrial-militar americano está exultante. Vai ganhar muito dinheiro matando gente. O terrorismo islâmico agradece. A Coreia do Norte se exalta em loucuras, pondo em risco a Coreia do Sul e o Japão. Dois meninões briguentos é o que são esses governantes, o grandão e o baixinho.

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