Segurança nacional e privatizações

Maio de 2018 há de ficar em nossa memória coletiva como lição e aprendizado, para que não se repitam tragédias evitáveis.

Temos 144 estatais pesando no orçamento nacional. O funcionalismo, após o PT, nas três esferas de poder da Federação, chega à 11 milhões de pessoas (União, estados, municípios, suas autarquias e fundações, além de empresas públicas e S/As tipo Petrobras). Instituições privadas, como as Santas Casas, recebem verbas públicas. Parece até que temos um Estado socialista dentro do Estado capitalista. Não há espaço para baixar tributos e nem aumentá-los. O que fazer? Privatizar tudo, é óbvio.

 Segurança nacional e privatizaçõesOs tribunais de Contas – modelo belga de controle – de um Estado pequeno e enxuto não nos servem mais, até porque seus membros são geralmente políticos ou indicados por políticos. Melhor seria adotar o modelo inglês de auditorias sem prévio aviso, que de repente aparecem nos órgãos públicos, até mesmo no Almirantado Britânico (Ministério da Marinha), e fazem uma completa devassa em suas contas, onde nem o primeiro-ministro nem o rei ou rainha podem interferir, muito menos o “poderoso Parlamento”, que naquela ilha singular detém praticamente todos os poderes, ou seja, o Legislativo, o Executivo (extensão do grupo majoritário no Legislativo) a até a Corte Estrelada Judicial, convertida em Corte Suprema recentemente (o sistema inglês não distingue o direito público do direito privado).

Com isso, teremos mais controle, com a expansão da Controladoria-Geral da República, replicada nos estados junto com o Ministério Público, minimizando os problemas crônicos que essa questão gera no Brasil.

Mas o que importa fixar, hoje, é que certas áreas, como as de saúde, segurança, transportes e Forças Armadas, devem ter o direito de greve negados, mesmo quando envolver o governo e seus impostos, a bem da população.

No Brasil – é sabido –, há o caminhoneiro autônomo, valente, desbravador, dono do seu caminhão, o que gerou até um filme, e médios e grandes transportadoras rodoviárias que os oprimem nos subcontratos. Quem já não viu as imensas cegonheiras cheias de automóveis? Entraram na maré dos autônomos e tiraram vantagens. Nosso transporte ferroviário, aquaviário e marítimo de cabotagem estão à deriva.

Somos um país sobre e sob as rodas de caminhões, sem integração da matriz de transporte, que se existisse reduziria em cerca de 30% o custo das transportações, já que somos um país continental e integrado ao Uruguai, Paraguai e Argentina, por águas internas de grandes rios e marítimas, sem falar nas capitais, todas à beira-mar ou à margem de rios navegáveis ou até a 80 quilômetros do mar ou dos rios grandes, a saber: Manaus, Belém, Macapá, Palmas, São Luiz, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Vitória, Rio, Santos, São Paulo, Paranaguá, Curitiba, Itajaí, Florianópolis, Porto Alegre, Rio Grande, Campo Grande e Cuiabá, todas a pouca distância do mar e dos grandes rios e portos do complexo Araguaia-Tocantins ou da Bacia do Prata. Isso é bom para o celeiro de grãos do Centro-Oeste. O abandono do transporte aquaviário e de cabotagem é desrespeitoso à inteligência e ao planejamento. Temos dois ministérios inoperantes: o do Planejamento e o dos Transportes. A Rússia é um bom exemplo da integração das ferrovias e aquavias fluviais, incluindo o canal aberto ligando o Volga ao Don.

Os prejuízos da greve dos caminhoneiros e empresas de transporte são imensos para o governo, e maiores ainda para dezenas de setores econômicos e a população em geral. R$ 300 bilhões perdidos quando tudo estiver computado. Quem vai devolver os lucros cessantes e as perdas financeiras? Então, podem os caminhoneiros parar tudo e todos? Esses não poderiam transformar um país de 210 milhões de habitantes em refém de seus desejos, ainda que razoáveis. Consciência, responsabilidade e soluções andam juntas, e os serviços essenciais exigem “mesas de negociação” de preços e impostos, permanentes, jamais greves selvagens e assassinas.

Maio de 2018 há de ficar em nossa memória coletiva como lição e aprendizado, para que não se repitam tragédias evitáveis. Bom senso ajuda a viver e conviver em tempos de penúria e cólera.

Diante do caos, as Forças Armadas não podem se omitir. Precisamos de força na Presidência. Diálogos devem ser razoáveis. Não se negocia bem, jamais, com o fio afiado de uma faca no pescoço, como ocorreu nesta greve urdida com pelo menos três meses de antecedência, com a conivência de empresas de transportes rodoviários.

Os resultados serão mais inflação, maior desemprego, crescimento econômico pífio, aumento da criminalidade e crescente desfazimento do tecido social, em prejuízo dos três poderes da República, ou seja, da convivência social e da democracia como instrumento de encaminhamento dos conflitos da sociedade organizada em nação.

O crescimento econômico que vinha se expandindo desde a greve se apresenta decrescente. Com os candidatos de esquerda (Ciro) e direita (Bolsonaro) à frente nas pesquisas, que país haveremos de ter? Pobre Brasil.

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