PIB estagnado e Bolsonaro boquirroto

Bolsonaro elegeu-se, sejamos francos, não pelo que é, mas por repulsa a Haddad; seu governo até agora é uma decepção e não anima o empresariado

O governo Temer, em dois anos e três meses, após o traumático impeachment da presidente Dilma, de quem era um desprezado vice, fez o PIB do país crescer 2,18% em seu curto período de governo. No plano político, tentaram, por duas vezes, articular o seu impeachment, impondo-lhe o duplo esforço de governar o país e autodefender-se no Congresso Nacional. E, o que é pior, com baixíssima popularidade. Os períodos presidenciais de Dilma levaram o país a uma depressão de 3,4% do PIB, mesmo sendo do PT, que governava o país desde 2002, período maior que o de Getúlio Vargas (Estado Novo).

Temer tinha tudo para ser um desastre. Pelo contrário, elegante, formal, empenhado em governar o país, não deixou o PIB cair e, ao revés, fê-lo subir. Convenhamos que 2,18% é pouco, mas é melhor do que nada e muito melhor do que uma recessão, implicando queda na produção e aumento do desemprego, justamente o que dele se esperava, mas que não aconteceu. Conversou com os empresários paulistas e incentivou o export-drive (esforço de exportação), sem aumentar a carga tributária.

Em constante diálogo com o Congresso Nacional, o ex-presidente fez a emenda do teto de gastos e a reforma trabalhista básica, sem o qual não se governa nas democracias, a não ser com brutalidades executivas, como Trump e seu admirador, esse que responde pelo nome de Jair (bem carioca) Bolsonaro (italiano, do Vale da Ribeira), em São Paulo, cujos índices sociais são piores do que os do sertão da Paraíba, situado, em Região do Nordeste brasileiro, extremamente árida. Pois bem, os “paraíbas” (Nordeste) agredidos vão lhe dar o troco nas próximas eleições. São 58 milhões de pessoas, sem falar os que já estão no Rio e em São Paulo (e são orgulhosos).

Agora, o linguajar do presidente e sua esmerada educação. É o sujeito mais “grosso” que já passou pela Presidência do Brasil e não tem tato político nem econômico. O ser capitão é porque, ao entrar na reserva, galga-se um posto. Elegeu-se, sejamos francos, não pelo que é, mas por repulsa a Haddad, pois ninguém aguentava mais o PT e a “velha política”.

Agora há que examinar o governo de S. Exa. (já vimos que a bruteza sob a desculpa de ser franco é coisa de subúrbio). O seu governo até agora é uma decepção e não anima o empresariado. Cleide Silva, do jornal O Estado de São Paulo, nos traz dados preocupantes e, até agora, ninguém sabe do planejamento do governo para empurrar a iniciativa privada rumo ao crescimento econômico. De janeiro para cá, está tudo piorando. Diz Cleide que em São Paulo “operários descobriram que os donos tinham abandonado o negócio, deixando equipamentos e veículos no local. Passados mais de cinco meses, suas carteiras de trabalho continuam assinadas, o que os impede de sacar o FGTS, de receber salário-desemprego e de conseguir outro emprego.

Apareceu um serviço em uma metalúrgica no bairro da Lapa, mas, quando viram a carteira, não quiseram contratar porque não foi dada baixa, afirma Santos, de 59 anos. Ele era torneiro repuxador e levantava todos os dias às 3h40 para chegar ao trabalho às 6h30, pois mora em Francisco Morato. Hoje, sem salário, diz estar ‘com o nome sujo’ por dívidas com o cartão de crédito. Oliveira, de 55 anos, aguarda a liberação do FGTS para voltar com a família para o Piauí, de onde saiu em 1985 em busca de trabalho. “Minha intenção era ficar, mas agora São Paulo está tão ruim quanto o Piauí; a diferença é que lá o aluguel é mais barato”, diz o ex-motorista, casado e pai de duas meninas, de 4 e 11 anos.

Tome tento, capitão, seu navio está desgovernado e V. Exa. continua a bater boca por qualquer coisinha. O modelo de reforma tributária defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, prevê uma alíquota em torno de 0,60% do imposto sobre transações no lugar de todos os tributos federais — à exceção do Imposto de Renda (uma CPMF). Ponto pacífico no Ministério da Economia: criar esse imposto como substituição aos encargos previdenciários na folha de pagamento. Para isso, seria necessário ter uma alíquota de 0,30%. Numa conta de restaurante no valor de R$ 100, por exemplo, tanto o cliente quanto o dono do estabelecimento pagariam R$ 0,30 — totalizando R$ 0,60 como arrecadação federal.

Mais um passo, de preferência de Guedes, ganha força: A ideia de criação do Imposto Único Federal (IUF) no lugar de três impostos — IPI, PIS e Cofins. O ministro da Economia considera que faz mais sentido ter alíquota maior do imposto sobre transações como forma de simplificar o sistema. Vejam que confusão. A União, com três megaimpostos, um IVA amplo sobre todas as relações de consumo, desde opções em bolsa até a compra de feijão. Os estados, com outra IVA estadual. No fim, 40% do PIB, um desastre! Essa reforma não passa (tempo jogado fora). O país ouvindo as besteiras do capitão e do seu ministro da Fazenda! E decrescendo cada vez mais. A fuga de capitais é crescente.

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