País leniente

Lula e o PT serão esvaziados e, com eles, a demência socialista e demagógica, sem falar que o “camarada” logo será condenado pela propina do sítio de Atibaia.

Apesar da extrema maldade dos bandidos, da crueldade criminal, da agonia do povo nas cidades e no sertão, do péssimo sistema político-partidário, da desilusão dos patrícios com os nossos políticos, o Brasil é, acima de tudo, e não deveria sê-lo, um país leniente. Aqui, quase tudo pode ser feito, por isso que as reprimendas são leves e demoradas. E nada é feito para que haja, como noutros lugares ocorreram, mudanças para banir a leniência, a frouxidão, o pouco caso com os interesses vitais da população.

 País lenienteA história da humanidade mostra-nos eventos extremos de correção da criminalidade incrustada nas estruturas sociais. A Revolução Francesa, por causa de uma aristocracia dissoluta, rica, licenciosa e um povo em estado miserável, protagonizou a mais sangrenta revolução dos tempos modernos, a ponto de inventar a guilhotina – até então inexistente – para dar ritmo industrial às diárias decapitações de nobres, burgueses, adversários de toda ordem e até mesmo de alguns revolucionários, especialmente no período depois apelidado de “terror”. Hoje, a França tem um povo pacato, sendo o país de maior igualdade social e a quinta ou sexta economia do mundo, encostada no Reino Unido. Nova York foi obrigada, há pouco mais de 20 anos, a adotar a doutrina de tolerância zero para se tornar a megalópole mais segura do mundo. A Inglaterra dos lordes viu Londres tornar-se um valhacouto de bandidos pelo êxodo rural dos despossuídos, ao tempo da sua pioneira Revolução Industrial, feita a expensas do excesso de mão de obra pobre, abundância de hulha e das máquinas a vapor de todo tipo. As penas de morte para os crimes contra a vida e a integridade física e o degredo para as colônias e, principalmente, para a Austrália, como castigo contra os outros crimes, e que periodicamente esvaziavam as prisões de Gales, Escócia, Irlanda do Norte e da Inglaterra, reequilibraram o Reino Unido em termos de segurança.

Aliás, os povos germânicos, hoje altamente civilizados, sejam os vikings da Noruega, Suécia e Dinamarca, dos principados alemães, do império austríaco, dos francos e borguinhões da França, dos saxões e anglos da Grã-Bretanha, dos batavos da Holanda e Bélgica, dos suevos e visigodos da Espanha e Portugal, sempre tiveram um senso grave de ordem, com punições severas. Basta ver a ferocidade dos esquartejamentos portugueses no Brasil colônia.

O Brasil, a partir da Constituição Federal de 1988 (CF/88), após uma ditadura branda, se nos compararmos à Argentina e ao Chile, como que outorgou aos bandidos um salvo-conduto. O apego retórico aos “direitos humanos” e o desprezo absoluto à administração dos presídios permitiram que viessem a ser controlados por facções criminosas, formadas a partir dos anos 70 do século 20 pela mistura promíscua com presos políticos de esquerda. A CF/88 ensejou duas desgraças: o crime organizado (e suas organizações financiadas por gente rica e pelo tráfico de drogas), e um partido sectário, o PT, com a tese de ser o único partido dos pobres. Com efeito, a ideia-força do PT é a divisão entre o “nós”, os assalariados, e “eles”, os ricos proprietários de empresas e fazendas do Brasil rural.

Mas a CF/88, como se fosse do tempo da Revolução Francesa, se pretendeu cidadã, no dizer de Ulysses Guimarães. No artigo 5º estão todos os direitos fundamentais e um verdadeiro horror aos “deveres fundamentais” da cidadania – tem-se como avançada por proibir a “prisão perpétua”, a “pena de morte” e o encarceramento só depois de esgotadas todas as chicanas dos advogados. A “progressão” nos regimes prisionais e “salário” para bandidos e a proibição de “trabalhos forçados” completam o rol das platitudes do ingênuo constituinte de 1988.

Não é estranhável, portanto, que o crime organizado e a corrupção sistêmica tenham acelerado o passo após a CF/88, pois o poder intimidatório da pena – tais as benesses aos condenados – deixou de existir. Três as funções das penas: punir, recuperar e dissuadir. Apena-se o criminoso porque delinquiu, para recuperá-lo pela perda da liberdade e para passar um recado a todos, qual seja, respeite a lei e a ordem. A nossa polícia não prende, a nossa Justiça demora a punir, as nossas cadeias são administradas pelos detentos, que comandam o crime dentro e fora dos presídios. Brasil: país leniente e fraco. Sem prisão perpétua e pena de morte jamais venceremos a criminalidade e a corrupção.

Os EUA têm pena de morte e prisão perpétua, dependendo do estado, e é um país democrático. Bem, por isso agiu bem o STF – embora em decisão apertada – permitindo a prisão de Lula, por tempo decidido pelo TRF-4.

Lula e o PT serão esvaziados e, com eles, a demência socialista e demagógica, sem falar que o “camarada” logo será condenado pela propina do sítio de Atibaia e ainda responde por mais cinco inquéritos. Fez por merecer!

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