Opereta bufa

Com a vinda de Santos ao Brasil, Lula e Dilma recuaram e reconheceram totalmente a posição da Colômbia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se ofereceu para apaziguar a disputa entre Colômbia e Venezuela, ao argumento de que isto se tratava de um duelo meramente verbal a descalvar a total esperteza do seu ego político. Sua fala destinava-se ao público interno, a se passar como “o paizão” dos irmãos latino- americanos, liderança que o Brasil não soube construir com a companheirada nos oito anos de sua infeliz política externa, dominada por esquerdistas jurássicos como Marco Aurélio Garcia. Uribe deu-lhe uma resposta contundente: “O presidente da República deplora que o presidente do Brasil, com quem cultivamos as melhores relações, se refira a nossa situação com a República Bolivariana da Venezuela como se fosse um caso de assunto pessoal…”. Convenhamos que Uribe tinha inteira razão. As circunstâncias eram claras e as provas acachapantes. O chanceler da Colômbia, Jaime Bermúdez, declarou existirem 87 acampamentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território venezuelano e que “as provas são incontestáveis, tudo pode ser verificado por satélite”. De fato, a Colômbia apresentou os locais exatos dos grupamentos rebeldes. A questão é que foram os aviões-espiões dos Estados Unidos que fizeram as localizações, já que a Colômbia tem tratado com os norte-americanos para desmantelar os narcotraficantes das Farc, protegidos pelo bufão da Venezuela, a falar pelos cotovelos, a dizer que seu país mantém o controle dos 2.219 quilômetros da fronteira com a Colômbia. Pode até ter, mas é por meio dessa fronteira porosa que a narcoguerrilha se protege, entra e sai da Colômbia à vontade. Imaginem o Brasil lutando contra uma insurgência guerrilheira na Amazônia e países como a Bolívia ou a Venezuela dando-lhe resguardo e proteção? Qual seria a atitude do Brasil? À esvaziada reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) vários países mandaram subchanceleres, outros sequer compareceram. O atual secretário- geral da Unasul, Néstor Kirchner, com astúcia, não foi. Todos sabem que Chávez fora flagrado e inventava uma suposta agressão colombiana, com ajuda norte-americana a seu país, para defender-se com evasivas, daí a cautela de todos, inclusive de Evo Morales (Bolívia) e de Rafael Correa (Equador). O chanceler colombiano disse que a única solução concreta passava pela expulsão das Farc do território venezuelano. Em verdade, se a Venezuela fosse uma democracia, deveria prendê-los e entregá-los à Justiça colombiana, a menos que a Venezuela seja um país do tipo de Cuba, parâmetro que Chávez paulatinamente persegue, sem que o Brasil de Lula e de Marco Aurélio Garcia diga uma vírgula sobre o desrespeito às liberdades naquele país.

Como se não bastasse o vexame de nossa posição respeitante aos presos políticos de Cuba, ora em processo de libertação graças à diplomacia espanhola, vem o presidente Lula desqualificar o sério conflito entre a Colômbia e a Venezuela, como se fora uma briga de sindicalistas do ABCD paulista, desconhecendo ou fingindo desconhecer – o mais provável – a gravidade da situação ao norte do subcontinente. Aliás, a presidenciável Dilma Rousseff, bem como José Serra, deveriam ser seriamente inquiridos em rede de rádio e televisão sobre a visão de cada qual sobre a política externa do Brasil, especialmente sobre a nossa atuação no cenário da América do Sul, nosso entorno natural. Serviria para esclarecer o povo brasileiro. Serra foi perseguido pela revolução de 1964 e teve que se exilar no Chile, voltando com a anistia, às vésperas da redemocratização do país, sendo um dos fundadores do PSDB, que se apartou do PMDB por causa do oportunismo aético deste partidão. Essa é a origem do partido da social-democracia. Dilma, ex- guerrilheira de extrema esquerda, é novata no PT. Saber como evoluíram ao longo de 40 anos seria muito interessante. É direito do eleitor saber exatamente como são os presidenciáveis. Foi por não descortinar bem o querer de Chávez que a Venezuela vive hoje a decadência material e moral que arrasa o país (desabastecimento, inflação de 40%). Voltando ao divérbio entre a Colômbia e a Venezuela, agora depois da posse de Juan Manuel Santos, é de ver que a intenção de Chávez e do Unasul é de ajudar os irmãos guerrilheiros a se tornarem partido político (de esquerda, é claro). O chefão da guerrilha enviou carta pedindo que a Unasul seja ouvida. A reação colombiana foi imediata. Não aceita intervenção de quem quer que seja para mediar e “fazer a paz com as Farc”. No que interessava, a Colômbia cedeu. O comércio com a Venezuela voltou. O importante mesmo é não permitir que a Bolívia e Colômbia/Farc refinem cocaína com químicos somente produzidos no Brasil e as fronteiras abertas sangrando nossas veias. O Ministério da Segurança Nacional faz sentido. Com a vinda de Santos ao Brasil, Lula e Dilma recuaram e reconheceram totalmente a posição da Colômbia. Ainda bem! Errar é humano, continuar a errar é pura sandice.

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