O papel da oposição

Quando o governo de Dilma e do PT tomar medidas que na campanha negou, que a oposição faça vir a público a mentira

Há dois projetos de poder no Brasil, um de esquerda representado pelo PT, odiento, bolivariano, cultuador ao líder máximo, populista e com elevado grau de autoritarismo, bases de sustentação de sua presença no plano político. Se pudesse, instalaria o partido único aparelhando o Estado. O outro projeto é de centro-esquerda, liderado pelo PSDB, que conjuga os programas sociais (tanto que os criou) com a livre iniciativa econômica, propondo-se a defender intransigentemente a democracia representativa.

Esse segundo projeto foi muito bem votado na última eleição, saindo das urnas majoritariamente em São Paulo, Centro-Oeste e Sul do país, as partes mais desenvolvidas e dinâmicas do Brasil.

Olhando-se o mapa, há um corte transversal que começa no Acre e corta o país até Parati, dividindo-o em metades. Na parte de cima há dois enclaves: Espírito Santo e Roraima. Na parte de baixo não os há, apenas uma mancha azul contínua que desce de Belo Horizonte, passa pelo Sul de Minas e chega a São Paulo. (O Triângulo, o Norte de Minas e a Zona da Mata mineira são vermelhas.) O PSDB liderado por Aécio, entre outros, cabe-lhe fazer, em nome desses Brasis, oposição cerrada ao PT e seu governo, mostrando-nos suas contradições e erros. Quando tomar medidas que na campanha negou, que venha a público a mentira. Entre a presidente e a oposição não há lugar para diálogo algum, afora as relações impessoais que devem presidir o convívio entre estados e municípios com a União, essência do federalismo.

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O PSDB, liderado por Aécio, cabe-lhe fazer oposição cerrada ao PT e seu governo, mostrando-nos suas contradições e erros. / Foto por Cadu Gomes

Temos 28 partidos sem que saibamos distingui-los, exceto os de extrema-esquerda (PCO, PSTU e PSOL). O PCdoB desqualificou-se e o PMDB tem duas funções. No plano estadual e municipal acomoda as divergências locais. No plano federal tem sido o fiel da balança, tanto dos governos do PSDB como do PT. Despido de projeto nacional, mostra perfil nitidamente conservador e pragmático, ávido por mandos e cargos, penhores de sua enorme capilaridade política.

Segundo os cientistas políticos, as eleições de 2014 mostraram Lula e PT radicalizando “a luta de classes”: “Nós”, os pretos, os pobres, os nordestinos contra “eles”, os ricos, a burguesia, a “elite branca” do Sul do país. O mote pegou e surtiu efeitos. Fê-los ganhar as eleições parcialmente em Minas e no Rio. E bem no Norte e no Nordeste. Perdeu no resto do país. E perdeu feio, especialmente em São Paulo e no Paraná.

Ocorre que o Nordeste do Brasil é, por excelência, o “habitat político” do PMDB, conduzido pela elite branca da região e onde, doravante, o PT encontrará antagonismo nas próximas eleições municipais. A prova disso deu-se na reabertura do Congresso, a derrubar o decreto de Dilma instituindo os “conselhos populares” no aparato do governo, ideia nitidamente soviética, razão para a ira destemperada de Gilberto Carvalho, tachando-a de “vitória de Pirro”, ou seja, sem significado! Parece que o PT quer voltar à carga, via plebiscito.

O PT pretende usar os instrumentos da “democracia direta” (consultas populares, plebiscitos, referendos, oitiva da “sociedade civil organizada”, eufemismo para designar ONGs e “movimentos sociais” controlados pelo PT), para impor seu padrão de reforma política, o “controle democrático da mídia” e o aprofundamento das teses socialistas. Não terá êxito. O Congresso não cederá sua representatividade a essa tática chavista, por ser claramente conservador.

E que um cineasta de escol mostre a nossa história recente, desde o Plano Real a esta parte, para instruir o povo e, principalmente as pessoas que hoje têm menos de 30 anos, mistificados pelas calúnias e infâmias do PT.

Fernando Henrique Cardoso estabilizou o país, que tinha uma inflação anual de 980%, com o Plano Real, trazendo-a para 11% ao ano. Atravessou, com uma dívida externa monstruosa, três crises mundiais e mesmo assim derrotou Lula duas vezes no 1º turno, a lhe fazer ruidosa oposição. Os brasileiros na época souberam distinguir por viver a situação. Dizia-se no PT que os programas sociais do PSDB eram “eleitoreiros”.

FHC passou sorridente a faixa presidencial. Convenceu Lula e José Dirceu a escreverem “A carta aos brasileiros” – um projeto de governo –, que anulava o programa do PT, cripto-comunista, que revertia as privatizações da telefonia e da siderurgia, era contra a lei de responsabilidade fiscal, estatizava bancos, quebrava contratos, auditava a dívida externa e adotava a moratória unilateral. Arranjou-lhe um presidente do Banco Central com credibilidade internacional, o senador do PSDB goiano Henrique Meirelles, e negociou um encontro de Lula com Bush, que queria, é claro, desestabilizá-lo, julgando-o um novo Fidel Castro. É como agem os estadistas em favor do país.

Colheu, em troca, calúnias e comparações entre tempos históricos diversos no intuito de “demonizar” o PSDB e seus próceres. É como agem os políticos, apegados ao poder como se fora “cosa nostra”. O “petrolão” que o diga!

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