O ministério de Bolsonaro e o ano legislativo

Um país é como pessoa jurídica, econômica e estratégica. Os EUA merecem amizade, mas com independência. Agora é jogo, o treino acabou. É urgente construir maioria nas duas casas do Congresso.

É cedo para ver os acertos dos ministros do presidente e como ele vai regê-los, salvo um ou outro. Por ora causa espécie a aproximação com Trump. Os EUA merecem amizade mas com independência. A Europa Ocidental ainda não entrou no roteiro e deveria. A China, muito mais importante como compradora e vendedora, é o nosso maior parceiro, à frente dos EUA, recentemente ultrapassado. No entanto, está sendo hostilizada. Capitão, tenha visão de general e não a bruteza dos sargentos.

Um país não é pessoa física. Um país é como pessoa jurídica, econômica e estratégica. A política externa é fundamental para a segurança, a economia e o desenvolvimento do Brasil. Entretanto, temos como ministro do Exterior um boquirroto, soi-disant filósofo cristão. De ministros como ele já é possível falar, pois se expôs à nação.

Outro dia fez discurso em grego e tupi-guarani para se mostrar (vaidoso como ele só) e deitou fala esnobe e teorética. Deu de falar em cultura judaico-cristã, antiglobalismo et caterva, inclusive de amor incondicional. De onde vem essa Avis rara? O que nos interessa é o acesso a todos os mercados do mundo, inclusive dos países muçulmanos, o norte-americano e o chinês, não questões religiosas, ideológicas, bizantinas ou de lana caprina, como diriam os portugueses. Outra ministra está preocupada que menino vista azul e menina cor-de-rosa. Certo, foi uma metáfora, porém pobre, rendeu conversas, ruídos. V. Exª fez muito bem em Davos ao falar em comércio sem viés ideológico.Ministério de Bolsonaro e o ano legislativo

O Brasil é capitalista, admira os EUA, é democrático, cristão, e o Estado é laico, acolhe todos os credos. Não se precisa exagerar com declaração de amor a Deus ou aos EUA, governado por um bufão autoritário, doravante um pato manco, com um Congresso dominado com folga pelo partido democrata, que vai levá-lo à loucura. A sua índole é de ditador. Mais parece um menino querendo fazer muro com as partes de um lego. Essa obsessão por muros tem algo de infantil, xenófobo e raivoso. (Ele é meio nazista. Se repararmos bem, seu racismo é evidente, detesta negros e hispânicos, pobres e mulheres comuns, os tomando como inferiores).

Trump é uma piada. Segui-lo será de extremo mau gosto ou falta de discernimento. O Brasil, como o México, é latino e tem população “indiada”. Ele não gosta de nós.

Não é grave ser um Dom Quixote de La Mancha a defender a fé cristã ou o mundo judaico-cristão (não passa de bobice balofa de intelectual metido a professor de grego). Estou agora a falar que nosso chanceler deve ser prático, dia a dia. O Ocidente inteiro, desde Constantino, é greco-romano e judaico-cristão. Era só o que faltava.

Caro presidente, o país quer governo enérgico, presente, decidido, até porque o Congresso se empossou em fevereiro, mês curto. O Rio continua lindo (22 tiroteios num só dia, e no Ceará do PT não respeitam polícia, casa e pessoas, tocam fogo). Os gringos continuam a explorar nossa flora amazônica. O governo mostrou a que veio com o projeto do Moro, a honestidade que o envolve e a esperada posse de armas (falta o porte).

Mas é preciso fazer mais e logo, sob pena de contínuo desgaste, se bem que os 30 ou 60 dias iniciais não devam gerar maiores consequências, mas os dislates precisam parar. Elegemos o chefe do Executivo para (a) destruir um passado feito de pesadelos, amenizado pelo período Temer e (b) construir novo futuro que a todos os brasileiros motive.

É preciso aumentar o ritmo, superada a “confusão da largada”, como observou a Veja de 16 de janeiro, até porque o parlamento divide a governança. Assim, o renovado Legislativo (Renan foi para o lixo) e o Judiciário já estão a postos. As férias chegaram ao fim. Agora é jogo, o treino acabou. É urgente construir maioria nas duas casas do Congresso.

As pessoas, é claro, vão observar os acontecimentos, mas, acima de tudo, querem emprego e segurança, ou seja, que V. Exª promova o crescimento econômico da nação com melhor distribuição de renda. Foi pensando nisso que encerramos o ciclo do PT. Adiante, capitão, e não se esqueça de inovar na segurança. Essa baderna no Ceará é inadmissível, nos humilha como sociedade e projeta negativamente a imagem do Brasil no foro das nações.

Do seu lado, no Rio e no Ceará, são os governos estaduais que devem cuidar do assunto nos termos da Constituição, mas cabe ao presidente liderar os governadores e promover ações objetivas e concretas, com a criação na segurança de algo que se pareça com o SUS na saúde. Lá fora não se noticia o Ceará, senão o Brasil. Ninguém investe num país incendiado por marginais.

Encerro me solidarizando com a saga que V.Exª viveu, sem queixumes. Em 120 dias praticamente, teve o ventre recortado quatro vezes, o que o transmuda em herói. Que a sua recuperação seja completa, sem sequelas. E que possa, ao cabo, governar.

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