EDUCAÇÃO

Como se sabe, Gustavo Ioschpe é um apaixonado pelos temas da educação. Outros voltam-se para o meio ambiente e questões de saúde pública. Existe no Brasil massa crítica capaz de ofertar soluções viáveis para os nossos problemas. Os políticos, na situação ou na oposição, não conseguem reunir os pensantes e elaborar projetos efetivos.

O governo Dilma – não por ela, mais pela turma que a cerca – padece de uma crise de gestão que salta aos olhos. O PSDB, que é um partido de quadros, diferentemente de outros, que são oportunísticos, e do PT, que é sindicalista e pelêgo (já foi um partido de massas). Hoje vive de políticos populistas e do carisma do chefe supremo. Seus membros são loucos por cargos e empregos. Berzoini já interferiu para que o Fundo Fechado dos Funcionários Públicos tenha gestão sindical e não profissional. Candidatou-se a chefe.

O que compete a Aécio – já que Serra disse que é uma glória ser prefeito de São Paulo e, se for o caso, se candidatará à reeleição – é reunir a inteligência nacional para apresentar-se à nação com um programa sólido ao invés do blá-blá-blá dos nossos presidenciáveis. Ora, os problemas, todos sabemos quais são. Importam as soluções (tecnicamente falando), a coerência e a resistência aos juízos críticos que venham a ser feitos. Esse é precisamente o objeto da política como técnica e arte de fazer o bem comum. Há um mal- estar no Brasil. Os políticos são malvistos, são iguais e fisiologistas. É preciso quebrar essa madorra. O ato de votar no menos ruim tornou-se episódio tristemente inevitável.

Mudemos de assunto. Gustavo Ioschpe, de tão interessado, voltou-se para a China e foi lá ver in loco como se passam as coisas. A revista do Instituto Álvaro Penteado (SP) traz-nos notícias de sua viajem. 1º ponto: como agem os alunos e os pais. “Os alunos chineses não faltam praticamente às aulas, recebem regularmente muitos trabalhos para casa e têm uma verdadeira obsessão pelos estudos, pois só os que têm melhores notas poderão ter acesso às melhores universidades. No último teste internacional de qualidade educacional, chamado Pisa – edição 2009 –, que é muito respeitado, os alunos de Xangai tiraram o primeiro lugar em todas as áreas aferidas (matemática, ciências e leitura), enquanto os estudantes brasileiros ficaram na rabeira (entre a 53ª e a 57ª posição).

Os pais têm que colaborar, apesar de a maioria receber salários bem módicos. Na China, só os níveis compulsórios de ensino – do primeiro ao nono ano – são gratuitos. Os três anos de ensino médio são pagos até nas escolas públicas. E mesmo nos níveis gratuitos, os pais pagam o uniforme, o transporte e a alimentação. O Estado dá apenas os livros. O envolvimento emocional e financeiro das famílias chinesas para garantir uma educação de qualidade aos filhos deveria servir de lição para as famílias brasileiras”. O brasileiro espera que o governo resolva o seu destino, com programas assistenciais.

2º ponto: os professores não faltam. “Na China, ninguém se torna professor pelo salário! As diferenças com o Brasil começam na formação do professor. São três grandes diferenças. A primeira é que, na China, a prática de sala de aula se faz mais presente do que no Brasil. Ela começa já no segundo ano do curso que o pretendente a professor faz. Ele é obrigado a acompanhar as aulas em escolas regulares duas vezes por semana, durante oito semanas, e depois faz um estágio de meio ano no penúltimo semestre do seu curso. A segunda é que as escolas chinesas são mais pragmáticas e diversificadas na escolha de seus pensadores pedagógicos. Há um esforço constante de se abrir ao mundo e ver o que funciona, e pinçar de cada lugar as melhores ideias. O Brasil ainda é dominado quase inteiramente pelo construtivismo. A terceira, e mais decisiva, é a ideologia.

3º ponto: a sala de aula. “Três grandes diferenças saltam aos olhos na China em relação ao que acontece nas salas de aula do Brasil. A primeira é que há uma bandeira nacional sobre todo quadro-negro. A segunda é o uso constante de apresentação em Power Point. A terceira é a vassoura e a pá no fundo de todas as salas. Antes de irem para casa, os alunos têm de deixar a sala de aula limpa. Equipes de limpeza só agem nas áreas comuns. Não há turma do fundão, conversas paralelas, nem problemas de disciplinas. Para quem está acostumado com salas de aula em que uma minoria presta atenção e vários grupos paralelos se formam, cada qual falando sobre o seu assunto, é um espanto ver uma sala de aula com rigor chinês. No Brasil ainda se confunde ordem com autoritarismo e desordem com liberalidade”.

Vejam que as coisas não são complicadas a ponto de se tornarem insolúveis. Podemos, sim, melhorar a educação.

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