Boa imagem?

Mesmo com a ajuda do STF a corrupção ainda é endêmica e, na economia, investimos pouco e fazemos feio na infraestrutura.

Primeiro, o lado moral. O Supremo Tribunal Federal ajudou muito, embora a corrupção seja endêmica aqui e no mundo. Nos EUA, as empresas gastam mais com lobbies no Congresso para aprovar leis, mudá-las ou impedi-las do que em investimentos propriamente ditos. Ser congressista lá rende um bom dinheiro, como de resto aqui. A China não escapa. Bo-Xilai foi expulso do PC (seria do PT?) e sua mulher foi condenada por evasão de divisas e assassinato. Corrupção comprovada por investigação, mas sem julgamento. O dito-cujo era um grande candidato ao politburo (órgão de cúpula do PC chinês), simpático e populista, além de ex-governador de uma das províncias mais populosas do país. Mas não bastou. As redes sociais chinesas, tão fortes como o Twitter e o Facebook, denunciam os malfeitos, os arreglos, os súbitos enriquecimentos, o tempo todo, a ponto de a corrupção ter sido a preocupação n° 1 no Congresso do Povo, recentemente realizado.

Ao cabo, são 86 milhões de afiliados e muitos exercem cargos em todos os níveis, em todas as vilas, cidades e províncias, no vasto campo de poderes que o PC exerce no país. É um problema bem grande. Enganam-se os que acham desejarem os chineses a tripartição dos poderes e os modelos políticos ocidentais, até por saberem dos frequentes casos de corrupção nas democracias como o Japão, Índia etc. Nesse ponto, o consumismo tem suscitado divergências na cúpula partidária e nos delegados do Congresso do Povo. Se por um lado ajuda no crescimento do mercado interno – a China está mudando o modelo de exportação intensiva para o modelo de consumo interno massivo –, por outro faz com que o “ter” corrompa as pessoas.

O conflito lá não é entre regimes políticos, mas entre o povo e os “funcionários”, assim chamados os que servem o governo desde os tempos de Confúcio, cuja filosofia moral dá destaque às relações entre os súditos, seus direitos, suas famílias, o bem-estar coletivo e os governantes, e cujas máximas continuam inteiramente atuais, tanto que existem na Ásia mais de 3 mil institutos Confúcio. O dever do governo é fazer o povo feliz e não dele aproveitar-se. A honestidade pessoal, o dever de proteger os pais na velhice, o devotado apego ao trabalho, o dever para com a pátria, a moderação pessoal são alguns dos pontos magnos da sua filosofia moral. No ranking da corrupção a praga é generalizada. A revolução cultural da viúva de Mao Tsé-Tung visava combater o apego aos bens materiais. Foi longe demais. A virtude está no meio.

No ranking econômico o Brasil vai mal. Ser o segundo em número de aviões executivos e helicópteros, o terceiro na compra de cosméticos, o quarto mercado em automóveis, isso tudo revela apenas o poder dos muito ricos e o sacrifício das classes C e D. O país ser o primeiro em itens do agronegócio como o de proteínas animais (boi, porco, frango), açúcar, soja, suco de laranja, algodão, milho demonstra nossa excelência empresarial, apesar do atraso na infraestrutura. Até agora a nossa gestora não disse a que veio. O PAC empacou. O etanol regrediu. A Petrobras está sob intervenção, com preços artificiais prejudicando-a, bem como a política do álcool combustível. O sistema elétrico desabou na bolsa de valores pela ingerência do governo. O que a Dilma é? Uma reina Cristina moderada ou o quê? E mais, se não se aliou aos mensaleiros, disse nada da missão civilizatória do Supremo Tribunal Federal. Limitou-se a um dúbio “quem está livre do erro sob o céu do Senhor Deus?”. Erros? Do PT? Do STF?

Agora, os indicadores: o Brasil investe 2% do PIB em logística. A China 3,4%; a Índia 4,8% e a Rússia 7%. Somente 11% das cargas transportamos pelo mar e pelos rios num país à beira-mar e com grandes bacias hidrográficas. O transporte ferroviário pega 20% dos produtos num país continental. O aéreo fica com 0,2%. O resto é por rodovias, arrebentando as estradas. Sem falar nos portos. O problema é a baixa produtividade. A medida de carga despachada por funcionário é de 50 mil toneladas/ano em Santos. Em Rotterdã, na Holanda, é de 300 mil. Em Santos a carga fica parada 17 dias. A média mundial é de cinco horas. Dutos: Brasil 19 mil km; Índia 23 mil km; China 60 mil km; Rússia 250 mil km. Malha ferroviária: Brasil 30 mil km; Índia 63 mil km; China 77 mil km; Rússia 87 mil km. Mas tem um agravante. A velocidade do trem aqui é de 28km/h, nos EUA é de 80km/h. Estamos bem na foto? Acho que precisamos mesmo é de gestão. De um presidente competente. De um novo JK.

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